Dia Internacional de Ação 21 de Fevereiro de 2015, Arrentela

Apoio Mútuo

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Os acontecimentos da ultima quinta feira na Cova da Moura, confirmam que as  autoridades portuguesas não tem o mínimo respeito pela dignidade e humanidade das comunidades negras em Portugal, o que aliás já tem sido demonstrado  sistematicamente através da utilização desmedida da violência, numa base diária em vários bairros, e do assassinato impune de jovens negros. Esses atos exigem a mobilização de todos e todas. No dia 21 de Fevereiro, a Plataforma Gueto realiza uma Assembleia, na Arrentela, que terá como um dos temas principais, a violência policial. A presença de todas as pessoas de origem africana residentes em Portugal nesse dia, é vital. A mudança está nas nossas mãos. É urgente acabarmos com essa brutalidade que nos tem atingido. É hora de dizer BASTA a todos os abusos que temos sofrido.  Contamos com o vosso apoio

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Anarquia e Racismo. Lorenzo Kom’boa Ervin

Encontrei esta zine entre os pdf que vou revendo quando consigo. está em inglês… tive de traduzir, tinha de  fazer uma zine em Português… Aqui vai o texto completo com link’s, faz a tua… quando esta estiver pronta para imprimir publicaremos aqui… até lá… Que dizes?

Com o aparecimento de grupos como os anarquistas nacionalistas na Europa ou mesmo os nacionalistas autónomos, e outros grupos puristas e/ou anti fascista que imitam o “visual radical anarquista” (botas de combate, roupa preta, hardcore-punk, vocabulário, etc…). Com doutrinas maçónicas (religiosas) no anarquismo, com a esquerda sempre á janela, e com as várias prioridades dentro do movimento anarquista, fica uma pergunta: Está o Movimento Anarquista a ajudar a supremacia branca?

Esta zine é sobre o anarquismo nos EUA. Para um português pode parecer uma crítica á esquerda… Não sei se Lorenzo conhecia o Ska 2 tone ou se o inclui nas suas críticas. Mas muitos dos seus pontos devem servir de precursor para pensar: Poderá isto estar a acontecer em Portugal?

Lorenzo Kom’boa Ervin nasceu em 1947, escritor, activista, e anarquista negro. Foi membro dos Black Panther Party. Participou nos protestos de acção directa que ajudaram a acabar com a segregação racial em Chattanooga, foi arrastado para a guerra no Vietnam, onde se tornou activista contra a guerra. Em 1967 juntou-se ao Student Nonviolent Coordinating Committee, e depois Black Panther Party. Em 1969, desviou um avião para Cuba para fugir á acusação de alegadamente ter matado um dirigente do Ku Klux Klan. Em Cuba e na Checoslováquia ficou desiludido com o Estado Socialista. Os EUA conseguiram a sua extradição e foi condenado a prisão perpétua. Foi na prisão nos anos 70 que conheceu o anarquismo, foi ajudado pela Anarchist Black Cross. Foi na prisão que escreveu a zine Anarchism and the Black Revolution, entre outros. Foi liberto passado 15 anos, depois de inúmeros apelos.

Quando saiu da prisão juntou-se ao grupo Concerned Citizens for Justice, que lutava contra a violência policial e o KKK. Em 2008 ele e a mulher organizaram uma marcha contra a morte de dois jovens negros enquanto detidos no Chad Youth Enhancement Center, e a morte de outros prisioneiros no Nashville Detention Center, alegadamente mortos por guardas. Em 2012 com outros activistas negros organizou a conferência “Let’s organize the Hood”, e criaram a Memphis Black Autonomy Federation, que lutava contra os altos níveis de desemprego e pobreza nas comunidades afro americanas, brutalidade policial, uso injustificado de força letal, e a prisão em massa dos negros e outras pessoas de cor, devido á guerra contra as drogas.

Em 1997 Lorenzo foi convidado para ir á Austrália pela organização anarquista “Angry People”. A política anti imigração Pauline Hanson acusou-o de ser “um conhecido terrorista”. Depois da sua libertação, foia celebração NAIDOC, como convidado do Murri people (indígenas australianos), onde deu um pequeno discurso. Tentou visitar o Australian Black Party mas foi barrado pela polícia. Lorenzo saiu da austrália por si, para não ser deportado. Vive nos EUA.

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Zine: ANARQUISMO E RACISMO; Lorenzo Kom’boa Ervin

  • Este é o primeiro tema do Journal of anarchy and the Black Revolution, e apesar de eu pensar que não será o ultimo, eu não sei de que forma irá ser daqui para a frente. Depende muito da natureza da luta negra anti-autoritária que se está a desenvolver e a fermentar nas nossas comunidades. Não sabemos precisamente qual será a relação com o movimento anarquista norte-americano. Uma relação fraternal, de hostilidade, ou apoio preocupado.

Claramente um movimento que é todo branco, classe média, e ingénuo no que diz respeito á nossa luta, não é um que nos possamos unir. Acrescentando, que é um movimento que pode fazer muito pouco por ele próprio, quanto ajudar na nossa luta. Portanto é tempo de uma conversa clara com os anarquistas se queremos dar o passo a caminho daqui até á possibilidade realista da revolução social. Por mais de 15 anos, desde que estive no chamado movimento North American Anarchist, que estou em guerra com o mesmo. Apontei continuamente em artigos, cartas, publicações anarquistas, discursos, e em conversas pessoais que o movimento anarquista americano não é para levar a sério. Até duvido que seja um movimento social, mas sim uma sena da contra cultura do jovem branco. Não sou o primeiro a reconhecer isto. Muitos outros negros e anarquistas não brancos com quem falei como Juliana em Minneapolis, Greg em Seattle, Barbara em Nova Iorque, Ojore em New jersey, Shaw in Massachusetts, entre outros, confirmam. Também muitos activistas negros radicais e comunidades que estão interessados no anarquismo, perdem-no devido a ser uma sena da classe média branca. Quem podem culpar? O movimento anarquista tem das piores políticas na questão de classe e raça nesta sociedade, e nem tenta mostrar-se interessado com as condições da massa negra super oprimida. Onde quer que tenha tentado falar do assunto no movimento anarquista, como diversidade cultural e racial, ser o movimento apelativo á comunidade negra e de países do 3ª Mundo e atrai-los para o movimento, construir um novo movimento anti-racista para desafiar a identidade branca como a opressão dos não brancos, tenho tido resistência por parte dos “Anarquistas puristas” e brancos radicais no movimento. Lutei com o IWW, a Social Revolutionary Anarquist Federation e outros grupos anarquistas americanos nos anos 70, quando vim pela primeira vez para o movimento anarquista. Recentemente entrei em confronto com um grupo chamado Love and Rage Revolutionary Anarchist Federation, com sede em Nova Iorque. Isto não é um assunto novo, acontece há décadas.

Anarquistas Puristas e Supremacia Branca

A questão que se levanta é: Estão os anarquistas a construir conscientemente um movimento branco, para o que eu chamo assuntos de “direitos brancos” que só interessam aos radicais chic’s de classe média? Este é o caso mesmo quando muitos vivem em cidades com centros maioritariamente não brancos como Detroit, Oakland, Atlanta, Philadelphia, etc. Eles vivem nos guetos anarquistas e olham para a comunidade negra como “em redor” com suspeita e hostilidade silenciada. Pode este tipo de movimento trabalhar para uma revolução social quando para o fim desta década prever-se que metade desta nação serão não brancos? Penso que não.

Até o partido republicano reconhece que não pode levantar a poeira ou ter esperança em construir uma coligação de governo capitalista sem a participação dos não brancos, portanto o que está mal com estes anarquistas?

Anarquismo purista é uma forma de conformidade ideológica, um método de manter os ideais anarquistas “puros” e prevenir qualquer novo movimento que viole os princípios cardinais da tradição. Ensinamento e prática do Anarquista europeu. Também funciona para assegurar que só pessoas brancas irão definir, e continuar a definir a teoria anarquista, que só brancos atingirão lugares de destaque no movimento. Movimentos que surgem nas comunidades hispânicas ou negras, que são influenciados por nacionalismo revolucionário, o ponto anti autoritário do anarquismo será denunciado como “não sendo realmente anarquista”, recusando apoio. Tenho visto isto ser feito historicamente ao Student Non-Violent Coordinating Committee nos anos 60, Eu e Martin Sostre nos anos 70. Ao MOVE nos anos 80 até aos dias de hoje. Sem falhar, isto é manter o movimento “certo” (e branco). Mas também mantêm uma ideologia straitjacket que separa os separa dos eventos fora da comunidade branca radical, onde é o mundo real, portanto ajuda o marginalizado anarquista quando pede conformidade com o catecismo que Bakunin or Kropotkin escreveram á 100 anos. Como pode isto ser diferente dos marxistas?

Existe também a questão do elitismo e racismo como o daqueles anarquistas da Love and Rage que pensam poder falar pelos revolucionários negros e das suas comunidades. Estas pessoas vivem em casas privilegiadas, deixaram a casa para brincar ao revolucionário mau e fingir ser pobre. A verdade são que um par de botas de combate, jeans rasgados, uma t-shirt suja não faz de uma pessoa um conhecedor da política americana ou um pobre. Isto não é mais que trabalho missionário para essas pessoas. Podem ter mudado de atitude, são arrogantes, doutrinários, e condescendentes ao máximo. Sentem ter a resposta, e que todos, especialmente os negros, os devem seguir á terra prometida. Só eles estão qualificados para falar de questões de raça e de classe. Sabem tudo. Por isso só um movimento arrogante e egocêntrico aceitará este tipo de ética social como ponto-chave do movimento. Existe outro tipo de radical branco dentro do movimento anarquista que precisa de ser discutido, este é o tipo que diz não saber de diferenças entre as condições de trabalho dos negros e do brancos, e diz que “Estamos todos no mesmo barco”. Este tipo pretende não ver qualquer repressão racial na sociedade americana, e que os negros e outros não brancos não merecem “tratamento especial”. São geralmente encontrados nos grupos anarco sindicalistas dos EUA. Uma velha linha, uma posição economista, que sacrifica a luta contra o racismo em nome da paz da classe trabalhadora entre brancos e negros. Devemo-nos unir em volta da economia, e evitar “contenções” e “divisões” devido á raça. Mas como vou expor, isto é em si, uma posição escapatória e racista, mostra falta de moral na raiz.

É realmente um cop out tentar afirmar que a “classe trabalhadora” está a ser oprimida sem apontar que não existe uma classe trabalhadora monolítica nos EUA, e nunca houve. Sempre existiu a explorada e brutalizada classe trabalhadora Afro americana, começando com a escravatura, tanto na fase agrária como industrial da economia, até à chamada idade da informação. O trabalho negro sempre foi sujeito à repressão social adicionada à luta dos trabalhadores contra o capital.

É redundante e do pior dizer que não existem diferenças na posição social da classe trabalhadora negra, nem repressão especial, num grupo como o Workers Solidarity Alliance. Num artigo publicado em ideias e acção, o jornal politico WSA, um escritor disse que não viu diferença ou “nada de especial” como o próprio disse a pessoas de esquerda e a situação deós Afro-americanos. Mas o assunto mais infame da publicação, estava num artigo de página inteira, impresso em 1990, chamado “ Trabalhadores brancos e Racismo” em resposta ao assassínio racista de Yusuf Hawkins em Nova Iorque. Na mais onda da moda possível, o artigo tenta equiparar “ ataques contra brancos inocentes”… com o brutal assassínio racista de Hawkins. Neil Farber (pseudónimo de um membro da WSA) fala sobre “racismo e demagogos em ambos os lados”, uma cop out clássica da classe média branca. Ele nega que existem coisas como privilégios para os de cor branca, dizendo que foi uma criação de segmentos da estrema esquerda nos anos 60. Devemos assumir que ele estava a falar sobre os Black Panther Party ou do Revolationary Black Workers, apesar de tentar mostrar que está a falar de brancos radicais. Ele diz que o relativo melhoramento dos níveis de vida se deve á “Luta dos trabalhadores”, como se os trabalhadores brancos tivessem “ganho” as suas botas a lutar contra o patrão. Não é verdade, a classe média branca e o seu nível de vida só é possível devido á super exploração de países colonizados e escravatura. E contínua super exploração dos Afro-americanos e outros trabalhadores não brancos. Este sem sentido de Farber é coroado por um testemunho que o movimento Anarco Sindicalista “sempre” apoiou as lutas dos trabalhadores oprimidos. Isto é mentira, o movimento anarquista em geral nunca apoiou a luta negra ou entrou num movimento anti-racista. A WSA não é exceção, só agora aderiram. A negação dos privilégios da pele branca é um tipo de “ocultismo” que a esquerda branca em geral, e os anarquistas em particular são culpados. Este “ocultismo” ou o ocultar da verdade da opressão sobre os negros também foi apelidado de “ white blind spot” por radicais como Noel Ignatiev, um organizador e teorista radical de longa data sobre raça e luta de classes. Adicionado ao se esconderem atrás dos problemas económicos, existe um tipo de escapatória eclética dentro do anarquismo americano que pretende que a opressão de género, opressão sexual, ou outra contradição entre a nacionalidade branca está a par ou é até mais importante que a supremacia branca. Estas pessoas são geralmente das que também subescrevem a repartição, ou tenta limitar as dinâmicas do tema racismo a uma coisa ao lado, ou uma coisa politica, ou só mais um “ism”. Isso reflete-se no seu movimento, quase todos os movimentos contra o “fascismo” ou contra o que chamam de racismo, habitualmente organizado por grupos KKK/Nazy.

  • Nunca lidam com o racismo institucional ou com o diferencial da supremacia branca na qualidade de vida do país. É tudo emocional, idealista, e certamente não trás nenhum bem de mais aos negros e outros não brancos. Não estamos mais protegidos do fascismo devido a estes radicais brancos faz-o-bem. Eles são parte do problema, não parte da solução. Quem sabe se será possível para os anarquistas dos EUA coexistir com, quanto mais trabalhar com uma nova e emergente movimento anti autoritário negro? Uma coisa que os anarquistas brancos devem entender é que não é meramente uma questão de trazer negros e outros não brancos para o movimento anarquista, só para dizer que têm caras negras nas fileiras; temos de criar uma sociedade não racista onde o principal é a união. Bom, já libertei raiva suficiente, para escrever este primeiro artigo. Espero que gostes.

 

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Upton Sinclair: What it costs a woman to keep the world at war

Antiwar literary and philosophical selections

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Anti-war essays, poems, short stories and literary excerpts

American writers on peace and against war

Upton Sinclair: How wars start, how they can be prevented

Upton Sinclair: The lost people are those who go to be shot, killed in big war (Dante through Vanzetti)

Upton Sinclair: War’s one-sided boost to the economy

Upton Sinclair: World war as a business enterprise

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Upton Sinclair
From Boston (1928)

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There came days when the trip to her work and back again were infernal experiences, recalling those regions of Dante where the lost souls are frozen solid in ice. But in the great poet’s story it is possible to see the damned, while here they stumbled through pitch darkness, at half past six in the morning and the same hour in the evening. Cornelia would get her coat buttoned tight over a sweater and the family would pin her shawl over her head…

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Touradas, Equitação, Tradição, Globalização?

Especismo! Natural ou inseminado?
Cavalaria, o que serve?
Touradas, Equitação, Tradição, Globalização !!!

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Feira do cavalo lusitano nas Caldas da Rainha.
O que é a cavalaria, porque se mantêm? Porque festejam os cavaleiros os tempos monárquicos? Porque não se pode separar equitação de exploração? Que cultura querem fazer renascer os “Cavaleiros”?
A Tourada é tradição? Sim, mas não dos explorados.
O movimento de libertação animal abrange todos os animais, incluindo nós Humanos e inclui também as plantas como espécie a defender. Para definir o sentimento que não permite que muitos entendam as intenções “fabricadas” sobre o mundo natural, fazendo dele um recurso a explorar, criou-se a definição Especismo.
Especismo: sentimento que permite que o ser humano olhe os outros seres como inferiores, sem direitos próprios e condenados a uma existência servil. Um sentimento que se enraizou e evoluiu para outras formas como o Fascismo, o Racismo, o Sexismo, o patriaquismo. Como todas as outras formas de “ismos” a mentalidade especista pode ser passada à força, educada ou culturalmente inseminada.
O especismo encontra-se mesmo nas mentalidades de conservacionistas, amigos dos animais e algumas vezes dentro do “Movimento” da “Libertação dos Animal”. Muitos escolheram uma espécie, e só essa interessa, as outras são outras. Ex: Ambientalistas que comem carne, ou conservacionistas que abatem animais para controle de “infestações”; amigos dos cães e gatos que ignoram o sofrimento dos outros animais de espectáculo, animais de carne, ou “animais de companhia”. Na ciência o especismo vai só até aos animais sencientes, com um sistema nervoso que lhes comunique “dor”, muitas espécies de animais estão fora dessa designação, como também 100% das plantas. Este argumento é muito utilizado nos debates sobre especismo para evitar ser confrontado com a “nossa mentalidade especista”.
Não é um assunto que se debata muito, e a luta anti-especismo parece ser “obrigada” a passar pelos mesmos degraus que tiveram de subir lentamente os que lutaram contra o racismo, sexismo e fascismo. A maioria continua a descartar a hipótese de que está em nós a capacidade de mudar, de entender, de criar. E afirmam que a cultura especista vigente é intrínseca, imutável e naturalmente assim, argumento utilizado quando do confronto pessoal, cultural e social ao se falar sobre a raiz dos erros da sociedade humana e de que o modo como se trata os outros, incluindo animais não humanos e plantas é o primeiro passo para uma sociedade sem exploração, seja exploração do Homem sobre o Homem ou do Homem sobre as outras Espécies…

Fim MIDEAST ISRAEL  TOPIX 7
Quando tomei conhecimento da Feira do Cavalo Lusitano nas Caldas da Rainha, do seu cartaz, das suas actividades, achei que podia utilizar como exemplo prático, actual e real do que é a mentalidade especista. Depois de saber da história da “tradição” dos touros na zona Oeste, das recentes touradas a relembrar os “Velhos Tempos” do Bom Portugal, a imposição cultural da “Cavalaria” e do “Campino”, de que o estado português apoia e financia o “ganha pão” da famílias tauromáquicas, muitas afectas a sistemas totalitários, absolutistas como o do Rei D. João V, fundador da Coudelaria de Alter do Chão (propriedade do Estado português), que nas Lezírias se cria animais de carne, cavalos para desporto, cavalos militares, e cavalos de toureio, resolvi escrever e transcrever este texto para informar e levar ao debater sobre o que é a mentalidade especista, e que cultura social queremos deixar para as gerações futuras.
Está provado que pessoas, que enquanto jovens, pratiquem actos cruéis em animais, vão desenvolver uma personalidade mais agressiva, que acaba em violência sobre elementos da mesma espécie, da mesma raça ou não, do mesmo sexo ou não, da mesma classe social ou não.
Comecei com um trabalho sobre o homem medieval, tempos em que as famílias cavalheirescas e tauromáquicas, marcam no cavalo, no brasão, na cultura popular, na tradição, nos seus símbolos as suas necessidades e nos seus valores, a cultura nacional. Em 300 anos, na verdade, pouco mudou, mudaram-se os nomes, as fontes de riqueza, as cores, os valores exteriores. Mas mudou-se muito pouco na mentalidade exploradora e hierárquica do “Homem” civilizado. Depois saltamos uns séculos (até ao século XVI) com uma descrição de uma festa real com “Festa cavalheiresca, touradas e torneios” por Camilo Castelo Branco, no livro o Marquês de Pombal. Acabamos com descrição da coudelaria de Alter do Chão, Companhia das Lezírias, cabeças de cartaz dos festejos do dia da Cidade nas Caldas.
Em baixo partilhamos o link do cartaz do evento. Evento que partilha da mesma mentalidade, da mesma festa, da mesma cultura que se festejou nos tempos medievais, onde o Fidalgo, Deus e a Pátria eram tudo, e o resto… recursos. Colónias ou ganadarias, a mentalidade é a mesma. Tu necessitas mesmo de apoiar essa mentalidade?
O que é evoluir? O que é viver em comunhão com a natureza? Direito do homem, direito dos animais, defesa da natureza. São realidades diferentes? Não somos todos parte da natureza? A mentalidade que os/as mantêm como recurso a explorar não é a mesma?
Tu podes ser “aquele” que não vai conseguir mudar o mundo, mas podes mudar o teu mundo. A decisão está em ti. A mudança para um mundo melhor começa na acção e pode começar por ti. Pergunta-te, os animais têm de ter utilidade para existir? E tu, a quem és útil, para poderes existir?
A história da exploração animal é acompanhada pela exploração do homem sobre homem. E essa “roda tradicional” não é popular, mas sim senhorial. Em tempos de “crise” de que lado estás? Vais pensar nisso?
Aqui podem consultar o cartaz do evento: http://www.cavalo-lusitano.com/pt/noticias-sobre-cavalo-lusitano/iii-festival-do-oeste-lusitano-caldas-da-rainha-2014

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Instituição Alter do Chão ( principal criadora de Cavalos Lusitanos Puros, etc…). Representada na Feira do Cavalo Lusitano
Foi extinto, em Fevereiro 2007, o Serviço Nacional Coudélico e foi instituída a Fundação Alter Real. Em 1 de Agosto foi extinta a Fundação Alter Real e transferido o património mobiliário e imobiliário da Coudelaria de Alter, assim como a sua manutenção, preservação e exploração para a Companhia das Lezírias, SA. Passa a reunir, esta entidade pública, as Coudelarias de Alter, Nacional e da Companhia das Lezírias, facilitando a implementação e o desenvolvimento de uma política única equina. A história das duas Coudelarias – Alter Real (AR) e Coudelaria Nacional (CN) – não podem ser desligadas da História de Portugal e representam um património cultural que importa preservar e divulgar. A ordem da Junta do Estado e Casa de Bragança, de 9 de Dezembro de 1748, marca a fundação da Coudelaria de. D.Pedro de Meneses, 4º Marquês de Marialva e Estribeiro – Mor da Casa Real, alcança a perfeição no rigor da técnica, na beleza dos movimentos, na elegância das atitudes. O Cavalo Alter-Real atinge o seu esplendor
“Que não se consinta que pessoa alguma se intrometa com o que pertence às manadas e suas pastagens”. 18 de Janeiro de 1815
Proclamado o regime republicano, e arrestados os bens da coroa, a Coudelaria é integrada no Ministério da Guerra, na dependência da comissão técnica de remonta, com o nome de Coudelaria Militar de Alter do Chão. O tempo da Coudelaria Militar é uma presença notável na planificação das instalações e na racionalização da exploração agrícola da Coutada do Arneiro. Em Janeiro de 1942 dá-se a integração da Coudelaria no Ministério da Economia, na jurisdição da Direcção-Geral dos serviços pecuários. Começava um longo caminho de meio século de recuperação do Alter-Real.
1996 – Arranque de uma nova etapa. Um caminho que se dirige em exclusivo ao cavalo mas que passa, também, pelo desenvolvimento sócio-económico cultural e turístico do norte alentejano. Mérito de definir e traçar esse caminho coube, em 1996, ao engenheiro Fernando Van-Zeller Gomes da Silva, ministro da agricultura.
A Coudelaria de Alter é criada em 1748, no âmbito de uma nova política coudélica, iniciada em 1708, pelo Rei D. João V, consequência da moda europeia. Dominando a política coudélica, estava a profunda convicção de que a identidade nacional e a caracterização plástica e artística da Picaria Real teria de assentar na produção nacional de cavalos de sela, de Alta Escola. O núcleo inicial da manada foi inteiramente constituído por éguas, na sua maioria, propositadamente adquiridas em Espanha. Num primeiro tempo pretende-se a produção de cavalos de tiro e num segundo a produção de cavalos de corrida provocando a secundarização do Alter Real. Foi feita uma forte persistência nos cruzamentos absorvendo o Alter Real e produzindo cavalos de desporto. A partir de 1980 desenvolve-se um trabalho constante de especialização do Cavalo Alter Real em Alta Escola mais afincadamente procurada e plenamente atingida a partir do lançamento, em 1989, da Escola Portuguesa de Arte Equestre, numa sequência do que foi a Picaria Real. A 2 de Agosto de 2013, a Coudelaria de Alter passa a ser gerida pela Companhia das Lezírias, SA, tendo-lhe sido atribuída, através de delegação de serviço público de competências a preservação do património genético animal da raça lusitana, quer na linha genética da Coudelaria Nacional, quer na linha Alter Real, assim como das raças Sorraia e Garrano. O actual efectivo da Coudelaria Nacional é composto por cerca de 10 éguas puro sangue árabe descende das éguas adquiridas em 1903 e 30 éguas de raça lusitana. Desde a sua fundação a Coudelaria Nacional contribui, com os seus produtos, para o depósito de garanhões que anualmente estão ao disposição dos criadores para benefício das suas éguas.
EPAE –Escola Portuguesa de Arte Equestre, foram transferidas da Fundação Alter Real para a responsabilidade da Parques de Sintra – Monte da Lua, SA (PSML).A Escola Portuguesa de Arte Equestre era um departamento da Fundação Alter Real, cuja missão é, através da seleção, treino e exibição de cavalos lusitanos da Coudelaria de Alter, promover a raça Lusitana e manter a tradição portuguesa da alta escola.A Escola Portuguesa de Arte Equestre, recupera a tradição da Real Picaria, academia equestre da corte portuguesa do século XVIII, que usava o Picadeiro Real de Belém, hoje Museu Nacional dos Coches, e monta exclusivamente cavalos lusitanos da Coudelaria de Alter. È a sequência do que foi a Picaria Real, academia equestre da Corte Portuguesa encerrada no Século XIX, seguindo o seu ensinamento e tradição que nunca deixaram de influenciar a maneira de montar em Portugal. Por outro lado e devido à pratica, nunca interrompida, do toureio equestre, foi conservando até hoje o mesmo tipo de cavalo utilizado no séc. XVIII, bem como a mesma equitação, as mesmas selas e os mesmos trajes. Tudo isto constitui um património cultural equestre único no mundo. A Escola Portuguesa de Arte Equestre destina-se a conservar e a dar a conhecer este património e também a prática, divulgação e ensino da arte equestre de tão antigas e brilhantes tradições em Portugal. A Escola Portuguesa de Arte Equestre está instalada no Palácio Nacional de Queluz e apresenta os seus espectáculos nos jardins do Palácio
“Advertências e Regras para o Ensino do Cavalo de Toureio no Séc.XX – Estudo sobre o paralelismo entre a equitação de obstáculos e de toureio”, datado de 1970 e da autoria do engenheiro Fernando Sommer d´Andrade (…) O mestre não indica o objectivo a atingir, e muito menos explica a forma teórica de o atingir. Limita-se, normalmente, a dizer: «Vê como eu faço e tenta perceber!»; «Deixa o cavalo tirar-se como tiver jeito!»; ou: «Dá-lhe uma sova, se não obedecer, pois, para tourear, tem o cavalo que ter mais medo do cavaleiro do que do touro!».A Coudelaria de Alter do Chão será palco de uma corrida de cavalos, que irá reunir a nata dos jokers e criadores de cavalos que se dedicam a esta modalidade em Portugal. A batida forte dos cascos, a velocidade, o colorido e a emoção dão a este evento um carisma especial e outra dimensão por se realizar em espaço magnífico, com instalações ímpares, como só a Coudelaria de Alter dispõe. Sendo o mês de Abril, em Alter do Chão, dedicado à temática equina e tauromáquica, com o famoso Leilão de Cavalos, que se realiza a 24 de Abril, e a tão esperada Corrida de Toiros, a 25 de Abril, a Corrida de Cavalos, inserida no campeonato nacional 2012, será mais um evento marcante e inédito na região. As Corridas de Cavalos terão lugar no dia 22 de Abril, são promovidas pela Câmara Municipal em parceria com a Fundação Alter Real.

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Companhia das Lezírias
A Coudelaria da Companhia das Lezírias, dedica-se actualmente, em exclusivo, à criação do cavalo Puro-Sangue Lusitano, cujos produtos macho recria e aos três anos desbasta e comercializa, no mercado interno e externo
A Companhia das Lezírias passou por várias transformações ao longo da sua existência, sendo nacionalizada em 1975 e tendo passado, em 1989, a Sociedade Anónima de capitais exclusivamente públicos.
Caça
Toda a área de Charneca da Companhia das Lezírias, S.A. está, desde 1989 totalmente ordenada do ponto de vista cinegético, existindo três zonas de caça, duas associativas e uma turística.
Cavaleiros, leziarias e caça à raposa
A Equipagem de Santo Huberto é uma associação com personalidade jurídica e com fins desportivos; o seu objectivo é a pratica da caça à corricão, principalmente à raposa, com matilha, seguida a cavalo, e actividades afins, bem como o exercício ou a promoção de outras modalidades do desporto equestre e cinegético. A E.S.H. formou-se em 1950 com a compra de 30 cães de raça Fox-hound comprados na Inglaterra e na Irlanda em várias Equipagens. A actual matilha é constituída por 70 cães Fox-hounds inscritos no Clube Português de Canicultura, está credenciada e inscrita no Baily’s Hunting Directory, juntamente com outras 757 Equipagens de Inglaterra, Irlanda, França, Alemanha, Holanda, Itália, Canadá, Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, Índia, Kenya e África do Sul. As instalações da E.S.H. estão situadas no Monte de Santo Estevão em Benavente sendo constituídas por Casa Club de Campo, Casas de Huntsman e tratadores, canis e boxes para 30 cavalos As habituais áreas de caça são na Companhia das Lezírias, Mata do Duque, Fidalgos, Zambujeiro, Zambujal, Comporta, Chaminé e diversas outras Herdades no Ribatejo, Alentejo e Beira. A caça à raposa “Fox Hunting” tem como objectivo a busca da raposa selvagem, seu levante e perseguição pela matilha até encovamento ou apreensão pelos cães. É no olfacto, na resistência e velocidade dos cães que se baseia esta caça. O número de cães utilizado em cada caçada varia entre 30 a 50 percorrendo normalmente 40 a 50 Km. A época começa normalmente em finais de Outubro depois das primeiras chuvas com o treino da matilha nova, e preparação dos cavalos, e em princípio de Dezembro faz-se uma festa especial de abertura oficial da caça com Missa e Benção da matilha, continuando as caçadas até fim de Fevereiro.
Produção Animal
Carne de Bovino
A Companhia das Lezírias produz carne de bovino, 2 raças autóctones (Preta e Mertolenga) como base genética. Os grupos de animais destinados à reposição do efectivo são mantidos em regime extensivo (pastagens e fenos/palhas produzidos na CL) e os destinados à produção de carne passam a um regime semi-intensivo
COUDELARIA
A história da COUDELARIA DA COMPANHIA DAS LEZÍRIAS, tem o seu início no século XIX. Apesar dos primeiros registos genealógicos existentes, datarem de 1896 e de serem conhecidas referências à presença, nessa data, de 331 cabeças de gado equino, a sua origem data certamente de 1836, data de fundação da então Companhia das Lezírias do Tejo e Sado, uma vez que, os Relatórios da Direcção até 1841, data de início da actividade pecuária na C.L., referem como única espécie pecuária existente, até essa altura, cavalos no valor de 75$600 réis. Em 1899 relata a Direcção que, segundo resumo tirado das contas, desde o ano de 1886, o gado cavalar deu um lucro liquido, em 14 anos, de 7.851$054 réis. Contudo, só a partir de 1929 surgem os primeiros indícios de uma clara orientação zootécnica, com a adopção de critérios de selecção mais rigorosos, devido à inscrição das éguas na Comissão de Remonta do Exército, 72 cabeças registadas nessa data, tendo então surgido animais que ficaram celebres no panorama desportivo Nacional, tais como o INCARO e INTRUSO , que, montado por Luís Xavier de Brito, conquistou 11 Grandes Prémios. A política de selecção adoptada, que tem como princípios orientadores a funcionalidade em conjugação com a morfologia e andamentos, tem dado origem à obtenção de produtos de elevado nível e reconhecida qualidade, confirmados, entre outros, pelo LAFÕES e NUFAR Campeões de Campeões na FNC, na Golegã, em 1996 e 1997, PERFEITA Égua de Ouro na Expoégua 2005, pelo LOFE , Campeão de Itália de Dressage, em 2002, com Eva Rosenthal, nas categorias de S. George e Intermediária I, ou pelo IMPORTANTE ( morto na arena), no toureio, com Rui Salvador.
Actividades
A Companhia da Lezírias propõe um conjunto alargado de actividades que proporcionarão aventuras em plena harmonia com a natureza. Todas as actividades podem ser conjugadas de acordo com o interesse de quem nos procura. Consulte-nos para a elaboração de uma proposta à sua medida.

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Sec. XX/XXI, Desporto Animal!!!?
Atrelagem
As competições de atrelagem são efectuadas por equipas (grupos de cavalos) de quatro cavalos, quatro póneis, dois cavalos, dois póneis e um cavalo ou um pónei. É tido em conta para avaliação a condição física dos cavalos bem como o controlo dos cavalos por parte do condutor.
Equitação de trabalho
A Equitação de Trabalho é uma modalidade equestre baseada na equitação tradicional de cada país, mantendo e conservando as suas diferentes tradições, nomeadamente no uso do traje e arreios, e em que o cavaleiro utiliza apenas uma mão na condução da sua montada. Foi concebida para destacar o tipo de monte utilizado nas diferentes vertentes do trabalho de campo.
Como modalidade equestre, a Equitação de Trabalho foi criada pelos italianos
A COMPETIÇÃO…E AS ETAPAS
Constituído por diferentes etapas, um concurso de Equitação de Trabalho prolonga-se normalmente por três dias. Começa por uma prova de ensino, onde o cavaleiro tem que executar determinados exercícios num rectângulo de 40 x 20 m, julgados por um júri, à semelhança do que acontece na “Dressage”. A segunda etapa é a maneabilidade, uma prova de obstáculos onde se simulam algumas dificuldades que o cavaleiro poderá encontrar no seu dia-a-dia de labuta no campo, e que este terá que transpor, de acordo com critérios pré-definidos. A velocidade é a terceira etapa. Esta prova desenrola-se sobre um percurso idêntico ao da maneabilidade, onde não é avaliada a atitude mas sim a velocidade, em sistema de contra-relógio, fazendo com que esta prova seja a mais espectacular e atraia muito público. A quarta etapa, disputada exclusivamente por equipas, é a prova da vaca, onde um grupo de cavaleiros terá que tirar de uma manada de bezerras, um animal previamente sorteado, e colocá-lo numa zona demarcada para o efeito, deixando todos os restantes animais na zona inicial.
EQUITAÇÃO DE TRABALHO
Organizou-se em 1999 o primeiro campeonato nacional com 7 jornadas, disputadas um pouco por todo o país, culminando com a final que, como não poderia deixar de ser, teve lugar na Feira Nacional do Cavalo, na Golegã, em Novembro. Consequência do êxito da Equitação de Trabalho é a sua internacionalização para outros países, aliada à utilização do Puro Sangue Lusitano.

Raides
O Raide é uma competição Contra-Relógio para testar a velocidade e a resistência de um cavalo. Ao mesmo tempo deve demonstrar os conhecimentos do cavaleiro em relação ao uso do seu cavalo. A performance do cavalo em vários tipos de solo e quando defrontado com os vários obstáculos naturais é significante para determinar a educação (domesticação) do cavalo bem como a relação cavalo/cavaleiro. Para competições com mais de um dia, a distância média mínima em normais eventos internacionais é de 80 km e num evento oficial 100 km. Para um campeonato de um dia de competição, a distância é normalmente de 160 km e o tempo vencedor está entre as 10 e as 12 horas

O outro lado da história cavalheiresca! O lado do cavalo?
O cavalo terá sido dos primeiros animais a ser domesticado pelo homem. Depois do cão para defesa e caça decerto o cavalo foi dos animais a seguir, para ser utilizado no transporte e para ajudar o homem percorrer distâncias longas mais rápido e com mercadoria que por si não conseguiria. O cão e o cavalo desde cedo foram escolhidos como animais companheiros e até aos dias de hoje são os que merecem mais atenção, carinho e reconhecimento de “personalidade” pelo homem. O cavalo pela sua força e rapidez foi também o primeiro “tanque de guerra” nas batalhas. Até aos dias de hoje os cavalos são usados como escudo e arma de ataque, de forças de segurança no controlo de massas, em batalhas tribais e nas touradas.
Nos dias de hoje as touradas serão o pior “dever” de um cavalo? Serão pior que as várias “áreas de alta competição”, como corridas, hipismo ou corridas?
As famílias que hoje defendem a tradição, defendem a mesma tradição do “cavalo tanque”. Os cavalos das touradas são tão obrigados a aprender os movimentos a executar na praça como um cavalo de guerra no campo de batalha, um erro pode ser pago com sangue, normalmente do cavalo. São tão obrigados a enfrentar o touro, como o cavalo de guerra o exercito inimigo. Como na alta competição o homem ao pensar conhecer melhor o cavalo, que o próprio cavalo, obriga-o a exceder os seus limites naturais, seja com treino intensivo, tortura, cruzamentos genéticos, com esferóides ou com “simples”instrumentos de lide. Os cavalos de alta competição vivem dominados, drogados, isolados. Todos conhecemos o sofrimento que os cavalos sofrem na arena, muitas vezes até á morte. O que muitos não sabem é o que se passa nos bastidores do mundo da tauromaquia. As campanhas apontam o Touro como a principal vitima, o que é verdade, mas os cavalos são tão obrigados como eles, e tão vítimas quanto ele. E è por ai que começam os problemas, a domesticação e treino para alta competição. A tradição apoiada pela tauromaquia cobre também: Touro á corda; Picadeiros; Capeia; Largadas; Chega de Bois; Rodeos; etc. A tradição com o cavalo; corridas; caça á raposa; Hipismo, utilização militar, etc.
Séc. XVI (Cavaleiros, touradas e realeza)
Do Livro: Perfil do Marquês De Pombal; Camilo Castelo Branco:
“A quadrilha gentil dos Távoras”, diz V. Ex.ª. É de Távoras também e dum torneio que eu lhe vou lembrar a cavaleirosa história.”
“ O Visconde de Vila Nova de Cerveira, estribeiro-mor da princesa do Brasil, mulher de príncipe José, convocou 32 fidalgos da primeira grandeza em 1738, para festejarem o aniversário natalício da futura rainha D. Maria Ana Vitória com escaramuças militares, ao estilo africano, e corrida de touros fidalgos.
O Duque de Cadaval, estribeiro mor, foi o ensaiador do torneio. No camarote da princesa do Brasil esplendia o grupo das suas açafatas, realçavam em fidalguia, o primor dos atavios, estreladas de diamantes, e deslumbrando por formosura seis damas muitos íntimas da princesa D. Maria Ana Vitória. Viam-se palanques modestos os argentários do comércio – os tratatantes, como então se dizia profeticamente e inconscientemente. Fora do circo, 3.628 carruagens, que incultam pelo menos 7.456 cavagalduras. Isto, num dado momento, á volta da praça de toiros, poderá significar a dissolvência de um país, demonstrando-se que uma autonomia pode ser dissolvida a couces. E quanto a bestas, talvez mais que as 7,456, não incluindo alguém pessoalmente. Vamos á festa, entraram primeiro duas colunas de ganadeiros com os seus sargentos-mores, e com o fim de apresentarem armas fizeram manobras de quatros de conversão, terços de fileiras – Uma cousa linda, linda, em que os sargentos mores, uns parrapetas duma conspicuidade de milicianos, se ensaiavam para as futuras gargalhadas de Sua Alteza, o Conde de Lippe. Quando a tropa desalojou em linhas pelas quatro portas da praça, deixando a todos penhorados, pegaram de entrar os Guias com os seus cavaleiros. Seguem 31 cavalos com respectivos lacaios e xairés roçagantes com o brazão de cada 1 dos cavaleiros. Os cavalos relincham, escavam na terra borrifada, fitam as orelhas e e curcuveteiam ligeiramente à vontade dos cavaleiros. Eram da primeira grandeza os fidalgos; mas a cavalo, ficavam maiores, e sentiam-se eletrizados pelo fluido da admiração de todas aquelas Europas e Didos, como dizia o outro. O primeiro espectáculo foi uma escaramuça de labirinto. Tais proezas fizeram que, na opinião do Homero pedestre destas lides, os fidalgos venceram neste dia os mais célebres cavaleiros da fama. O que valia a Portugal eram estas escaramuças. Devia-se aos tais cavaleiros da fama do império da Àfrica, da Ìndia, não falando das conquistas, navegações da Etiópia, Arábia e Pérsia, e seus domínios, que é mais alguma coisa, de que ainda se está gozando o Sr. Luís I. Seguiu-se a tourada real. Os cavaleiros toureadores eram os mais celebrados da época. Assim que suas majestades entraram na tribuna real, saíram da praça os cavaleiros, deixando em todos uma segura esperança de ser esta a tarde mais plausível do presente século. A marquesa sofreu no seu coração e na sua vaidade quando o marido, por lhe cair os estribo, deu azo a que o marquês de Alagrete matasse o boi com o garrochão. Doutra vez, o touro foi-lhe de encontro ao cavalo, e atirou o cavaleiro tão alto, que o vento lhe levou o chapéu, e o cavalo morreu. O Alegrete vingou o Tàvora, matando o boi à espada. Deu-lhe um golpe tão grande sobre o espinhaço que logo pela ferida saíram ao boi as entranhas. O marquês de Alegrete matou 3 bois, e os outros mataram 5. O Távora e o senhor Vila Flor saíram contusos , mas gloriosos, pela parte que tiveram cutiladas que espadanavam jorros de sangue na praça, enquanto os bois eram arrastados pelos lacaios. Naquele tempo ainda não havia o sentimento que o senhor de pancas, num opúsculo memorativo doutras toiradas régias chamava, com fidalgo azedume, filantropia cornígera. No 3º dia repetiram-se as escaruças, e terminou a festa por uma continência a Suas Majestades, em que entraram, os 32 fidalgos, 192 lacaios, e 240 cavalos. Abateram 8 bois à espada e garrochão: Veja e admire o mundo que, se nas vistosas acções de um fingimento, conduz para a respectiva admiração o invencível esforço destes heróis, sendo esta aparência de guerra um emprego de curiosidade, que fará se chegar o tempo em que descarreguem os golpes, movidos ou obrigados dos furiosos ímpetos da cólera ou dos nobres impulsos da vingança? Os golpes vieram “vibrados pelos furiosos ímpetos da cólera”, e não acharam arnês que os rebatesse daquele tipo de fidalgos dissolutos, incapazes de reagir ao braço forte de um adversário ofendido e inexorável.
Os sociólogos de hoje em dia ponderam que naquele tempo havia uma grande miséria dissolvente a pedir um Pombal redentor. Sou como Thomas Buckle. É da estatísticas das bestas que deduzo a prosperidade dos homens.

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O homem medieval – (Direcção de Jacques le Gof)
Os homens da idade média reconheciam uma realidade a que era preciso chamar o homem? Encontrariam, na sociedade heterogénea em que viviam, um modelo que se adaptasse ao rei e ao mendigo, ao monge e ao jogral, ao mercador e ao camponês e, para falar em termos de sexo, à mulher e ao homem, um modelo que seria o homem? A sociedade medieval foi, mais do que muitas outras, uma sociedade de oposições e, se recusou o maniqueísmo doutrinal, praticou um maniqueísmo de facto através de oposições de tipo bom/maus, ou, então, de tipo superior/inferior. O cavaleiro vive entre a violência e a paz, o sangue e Deus, a rapina e a protecção dos pobres.

Os de “fora” da sociedade cavalheiresca
A mulher, o artista e o marginal
No esquema medieval a mulher não tinha qualquer lugar. Se, existia uma categoria “mulher”, durante muito tempo não foi definida como distinção profissional, mas pelo seu corpo, pelo seu sexo, pelas suas relações. A mulher define-se como esposa, viúva ou virgem”. O marginal e o santo eram duas encarnações opostas do cavaleiro da época medieval. O primeiro marginal é o exilado. O exílio foi considerado um substituto da pena de morte. Exclusão do meio onde se vive habitualmente. É um saco extremo de marginalização espacial, exílio no campo, em bairros mal afamados, e, em finais da idade média, em “Guettos” das cidades. Além do crime, a má reputação (infâmia) também gera marginais. A infâmia pode ser individual ou colectiva, como o caso das profissões “ilícitas” ou desonestas”. As pessoas do mundo do espectáculo eram excluídas. Nesta sociedade em que a ambiguidade física é tão forte, o doente e o inválido têm vocação para ser marginais. O santo, a santidade do santo medieval não é nem intemporal  nem absorvida pela continuação, visto como o continuador dos deuses pagões da Antiguidade. Embora a igreja, a partir do séc. XII tenha controlado a criação de santos, o povo permaneceu durante toda a idade média um “criador de santos”.
Obsessões
O homem medieval é de facto um sistema ideológico e cultural em que está inserido, o elemento imaginário que traz em si, imporem à maioria dos homens (e das mulheres) desses 5 séculos – clérigos ou leigos, ricos ou pobres, poderoso ou fracos – estruturas mentais comuns, objectos de crença, de fantasia e de obsessões análogos.
Mentalidade simbólica
O homem medieval vive numa “floresta de símbolos”. Santo Agostinho dizia: o mundo é constituído por signa e por res, ou seja por sinais, símbolos, ou coisas. Ao res, que são a verdadeira realidade, permanecem ocultas: o homem percebe apenas sinais. O homem medieval é um “descodificador” contínuo, o que reforça a sua dependência em relação aos clérigos, peritos em simbologia. Impõe-se na política, onde o peso das cerimónias simbólicas, como a sagração dos reis, é considerável e onde as bandeiras, os brasões e as insígnias desempenham um papel fundamental.
Hierarquia
O dever do homem medieval era permanecer onde Deus o tinha colocado. Elevar-se era sinal de orgulho, baixar era sinal de pecado vergonhoso. No plano social e politico, o homem medieval tem de obedecer aos seus superiores, aos prelados, se se tratar de um elemento do clero, ou ao rei, ao senhor, aos chefes comunais, se se tratar de um leigo. A grande virtude intelectual e social que era exigida ao homem medieval, foi, em bases religiosas, a obediência. No entanto, a partir do ano mil e , depois, a partir do século XIII, um numero cada vez maior de homens não admitia sem discussão o domínio dos superiores hierárquicos e das autoridades. Dentro do esquema feudal, surgiu a revolta social, na cidade no campo, greves, motins, revoltas de operários e de camponeses. O homem medieval sabia revoltar-se quando necessário. No entanto, o homem medieval ficará no limiar dessa liberdade entrevista como uma terra prometida, segundo um processo de luta, de reforma e de progresso sempre inacabado.
O revoltado
A partir do ano 1000, e mais tarde a partir do séc. XII, um número cada vez maior de homens não admitia sem discussão o domínio dos superiores e da autoridades. O grande século da revolta foi o séc. XIV, da Inglaterra, a Flandres á Toscania e a Roma. O homem medieval tinha aprendido a revoltar-se em caso de necessidades.

Liberdade
È a liberdade que anima as principais revoltas. À libertação dos servos correspondem a obtenção das isenções ou das liberdades pelos burgueses das cidades. O homem medieval ficará no limiar dessa liberdade entrevista como terra prometida, segundo um processo de luta, de reforma e de progresso sempre inacabado.

Cavaleiro Medieval
Foi grande, sem dúvida, a revolução que, durante o séc. X, eliminou praticamente a velha divisão da sociedade entre liberi e servi. A Europa da época enche-se de castelos, construções fortificadas onde as pessoas se refugiam enquanto, no exterior, se desencadeia a fúria dos bárbaros e dos “tiranos”. A sociedade foi dividida em 3 níveis: os oratores, os belllatores e os laboratores. A oração, os combates e o trabalho nos campos eram considerados, embora a um nível diferente de dignidade, como os e aspectos fundamentais da vida civil, os 3 pilares do mundo cristão, um conjunto ético-teológico que tendia para a sacralização da prática militar. Destas sociedades de homens, que se conservaram os rituais, duras provas de força e de indiferença perante a dor, feridas rituais e provas de destreza. São estas as bases da cerimónia que nos habituámos a definir como “revestir da armadura” e que, juntamente com o combate a cavalo e os sinais exteriores da sua condição e tipo de vida, teriam contribuído precisamente para a definição de cavaleiro. Já ninguém acredita na tese de uma cavalaria nascida “naturalmente” no séc. VIII, e já ninguém se obstina em defender que a cavalaria é o produto inevitável da invenção de um objecto, o estribo que teria permitido uma melhor estabilidade na sela, maior possibilidade de ataque. Um certo aspecto sagrado associado ao cavalo nas culturas das estepes, trouxe a definição de hierarquia dos laços de vassalagem e, simultaneamente, o alargamento da distância socioeconómica e sociojurídica que separa armados de desarmados.
Uma pergunta deve ser colocada: Terá sido a igreja gregoriana, hierárquica e hierocrática, tal como da reforma do séc. XI, que “inventou” os ideias cavalheirescos? Há quem diga que não há uma cristianização da cultura cavalheiresca, mas se se quiser, uma militarização e heroicização de alguns modelos de testemunho cristão considerados particularmente capazes de conquistar, de comover, de servir, em suma, como instrumentos de propaganda. A Chason de Roland oferece um modelo de codificação do ritterliches Tugendsytem, do “sistema cavalheiresco”. Os dois Pólos em redor dos quais gira, são a prouesse, a coragem, e a sagesse, a “ sageza”, ou seja, uma capacidade especial, refinada pela experiência, que se costuma traduzir por prudência. Termos que são complementares e de cuja presença simultânea e harmónica resulta a mesure, o equilíbrio. O valente que não é prudente é um louco e o prudente que não sabe ser valente é um cobarde. Na realidade, porém, é raro que o cavaleiro possua, de uma forma harmónica as duas virtudes. O cavaleiro mais do que um individuo, é o resultado que Cícero, S. Bernardo ou Aelredo de Rielvaux definem como amor socialis, o sentido mais secreto e simbólico do símbolo da Ordem dos Templários, e é desse sentido, que se exaltam os valores cavalheirescos, onde se exclamará : “ Que coisa doce é a guerra”.
Um dos elementos mais característicos da poesia cavalheiresca, é a joie, que se associa á juventude. Uma interpretação unicamente sexualista ou mesmo erótica, visando realçar os laços existentes entre juventude e prazer da vida. A juventude relaciona-se directamente com os iuvenes, os cavaleiros recém sagrados, que vagueiam em grupos um tanto ou quanto turbulentos, à cata de uma aventura que, muitas vezes, se identifica com violência e abuso; a “alegria” tal como a encontramos em certas chansons de geste, mais do que um estado de optimismo e euforia, corresponde a uma exaltação ferina, não muito diferente do wut da tradição gremanica pagã, o furur, o transe guerreiro, cujos valores xamanistas estão em relevo. Em suma, as chansons são uma enorme janela aberta para a mentalidade das cortes e dos mercados, dos cavaleiros e dos leigos de classe inferior que se deliciam com a narração das gestas cavaleirescas. A esta lógica não escapam igualmente os chansons do ciclo dedicado à primeira Cruzada, que foi tida como consequência directa e imediata da cristianização da cavalaria. Há portanto, motivos fundados para se pensar que o clima que se respirava na cristandade, a seguir ao triunfo, já por si heterogéneo, grupo dos reformadores envolveu muitos membros do mundo cavalheiresco.
Thomas de Marle não era decerto um “cavaleiro pobre” do tipo Gualtieri (Sem Haveres), que na primeira cruzada comandava o grupo de populares. Da necessidade de se defender os territórios ocupados, e defender os peregrinos, assistir os fracos e doentes, tornar por assim dizer, “permanente” a mobilização que possibilitara a Cruzada, nasceram as ordens monásticas-militares ( ou religiosas –militres, religiosas cavalheirescas), que, em muitos aspectos, se podem considerar produto mais característico da ética elaborada nas “ligas de paz” e do desejo dos reformadores eclesiásticos de subordinação da cavalaria aos seus programas. O que é de facto é que, pelo menos à primeira vista, as ordens pareceram encarnar o ideal da cavalaria divina”, a militia Christi oposta à milicia saeculi, cuja violência gratuita, o culto mundano da glória e a procura do prazer, os ascetas e os rigoristas da igreja não perdiam a oportunidade de condenar. Bernardo de Claraval (inspirador dos templários) justificou e até elogiou a instituição dos monges cavaleiros, não justificou a tout court, nem teve como objectivo a sua cristianização total. O apelo a misticização da cavalaria secular surge-nos, também em inícios do século XIII, no texto de um autor ou, pelo menos inspirador, provavelmente cisterciense, la Queste del Graal. È certo que a aventura cavalheiresca está repleta de fadas e dragões, de monstros, castelos ou jardins encantados, anões e gigantes, mas trata-se mais de metáforas do que fantasias. Georges Duby demonstrou que o elemento activo da pequena aristocracia europeia dos séc. XII e XIII, imitando o modelo francês, anglo-normanda, alemã, espanhola e italiana era constituído por iuvenes, ou seja, pelos cavaleiros recentemente “sagrados”. O seu máximo objectivo é um bom casamento, se possível com dama de condição mais elevada e de maiores capacidades económicas. Os séculos XII e XIII, que costumam ser apontados como o auge da época equestre na nossa idade média, assinalam uma espécie de vitória da cavalaria. Poetas, tratadistas e até teólogos e hagiógrafos parecem não falar noutra coisa; cronistas e pintores reflectem constantemente o esplendor das cerimónias do revestir a armadura; a alta aristocracia e mesmo o rei abandonam os seus títulos gloriosos para se ornaram simplesmente; é a isso que aspiram intensamente as classes ascendentes, os novos ricos das sociedades urbanas, a “gente nova”. A aventura cavalheiresca era essencialmente a procura de novas riquezas e de possibilidade de alistamento. Os cantares e romances cavalheirescos sofrem profundamente o fascínio da Ásia, e a nível popular, as lendas do Paraíso Terrestre, do reino do Prestes João, dos países das Amazonas, do império secreto e terrível do Velho da Montanha, chefe da seita de assassinos. A aventura vivia-se todos os dias, sem necessidade de guerras santas. Era a aventura da caça, especialmente das grandes e nobres feras das florestas europeias. Essa mesma aventura podia traduzir-se também numa característica actividade agonística, adequada ao adestramento militar, por um lado, mas que era, acima de tudo, significativa ao nível da teatralização das funções sociais e da auto-representação das aristocracias: o torneio.
Os historiadores travaram longas polémicas a respeito desses jogos militares e do seu efectivo valor no plano do adestramento. Os exércitos dos séculos X a XIII, em que a cavalaria era a tropa especializada e, por isso, o verdadeiro núcleo de combatente. Os cavaleiros, os trovadores, os arautos e os jograis que giravam á volta dos torneios não se cansavam de elogiar como escola de coragem e de lealdade e chegavam mesmo a apresentá-los como espelho de valores cristãos, oportunidade de adestramento para a guerra e ocasião para se combinar expedições ao ultramar. O penhor de amor ostentado em torneio é, juntamente com as armas pintadas no escudo, as sobrevestes e a gualdrapa do cavalo, o emblema característico do cavaleiro que participa em jogos militares. A tensão erótica, que pode ir até ao espasmo é uma característica essencial deste tipo de actividade. As crónicas falam abundantemente de ódios provocados por um torneio que constituíam um bom álibi para alguns se vigarem. A rivalidade amorosa devia ser um dos móbeis mais usuais e os caracterologistas demonstraram que, na base daqueles que se dominam “Torneios de animais” está o desejo de ostentar a sua força na presença de fêmeas e de reforçar o direito do macho adulto á sua posse. As ordenanças dos príncipes construíram para minorar a perigosidade e agressividade dos torneios. Como os torneios tinham um papel importante nas relações sociais aristocratas, a igreja teve dificuldades em parar os torneios quando estes se tornaram menos perigosos e mostraram a tendência de passarem de batalhas, mais ou menos simuladas, a jogos e espectáculos.
Entretanto, o torneio tinha feito nascer uma literatura específica, dividida em vários géneros. Verdadeiras narrativas em verso, em que se dava o nome de “arautos”, esses poetas e juízes de torneio, peritos em regras de jogo e na identificação dos vários participantes. Outro género literário famoso é o que se baseia na “moralização” do torneio, no qual fornece uma versão alegórica. Já vimos como o Pugna spiritualis estava na base da legitimação cristã da cavalaria. Esta interpretação do torneio era muito atraente, na medida em que abria caminho a infinitas possibilidades de alegorizações: podiam apresentar-se, alegoricamente o combatentes, as suas vestes, as cores, as insígnias e os golpes dados e recebidos. O torneio prestava-se às mil maravilhas para se transformar em espectáculo. As necessidades de se assegurar uma compensação social, sobretudo em épocas de forte mobilidade socioeconómica como foram os séculos XIII e XIV, foram satisfeitas em França, por lettres d’anoblissement que permitiam desobedecer às normas restritivas e proporcionavam a pessoas de origem humilde o acesso á dignidade de cavaleiro e à escolha de um brazão, elementos de base para o ingresso naquilo que começava a configurar-se como sendo a nobreza. Como um dos sinais característicos das classes dos “magnates” que se queriam esquivar ao exercício de poder, depressa essa dignidade se revelou como um ambicioso refúgio para a própria “Gente Nova”, que aliás gostava de investir os seus capitais em terrenos e castelos e adoptar o tipo de vida da nobreza, imitando os aristocratas alemães e franceses ou a própria aristocracia feudo-senhorial da península. Em breve seriam armados cavaleiros do “povo”. A dignidade de cavaleiro era, aliás, exigida a quem ambicionasse determinados cargos, como, por exemplo, o de prefeito ou de juiz do povo de cidades que não aquela onde tinham nascido. Na Idade Média tardia, a cavalaria ainda era considerada o nervo dos exércitos. Em função da sua classe, os cavaleiros consideravam-se “banderesi” ou “baccellieri” homófono de “ bas chevalier”. No entanto, em França, os bas chevaliers detentores de feudos que, muitas vezes mal chagavam apara armar um único guerreiro tiveram uma guerra dos 100 anos muito lucrativa.
Nesta história de contínuos mal-entendidos e contraposições que é a história da cavalaria, registe-se, no entanto, também o facto de a cultura aristocrática medieval estar repleta de valores e de gérmens cavaleirescos e de, no entanto, a cavalaria propriamente dita se ter transformado em algo bem insignificante, uma série de ouropeis ques e podia comprar e vender, um instrumento de promoção social ou um montão de desorganizados guerreiros, orgulhosos da sua classe, mas desprovidos de meios e vivendo na procura constante de processos que lhes permitissem manter-se á superfície. Os soberanos dos nascentes estados unidos europeus reagiram à crise da sociedade cavalheiresca a dois níveis distintos: conseguiram ir privatizando, progressivamente, a baixa nobreza dos seus poderes e das sua prerrogativas jurídicas e sociopolíticas, num processo longo e não despromovido de períodos de estagnação, mas essencialmente, bastante coerente; criaram para a nobreza, uma série de “ordens de corte” copiadas das ordens militares religiosas e dos modelos propostos pela literatura cavaleiresca (Távola Redonda), das fantasias e imaginárias cerimónias, das faustosas insígnias, das vestes luxuosas, mas privadas de um significado que não estivesse ligado à corte. Devido a mudanças tácticas militares a cavalaria iniciou a sua desmilitarização parcial, entre os séc. XIII e XVI. O séc. XIV foi a época da derrota da cavalaria. O aumento do peso das armaduras, obrigava os cavaleiros a escolher raças equinas mais fortes e resistentes, mas menos velozes. À cavalaria começava a restar unicamente o aparato, os torneios e os desafios para o “combate singular”. A bela aventura cavaleiresca morreu entre as florestas de lanças e o fumo das bombardas, entre os bastiões fortificados e a tirania dos reis absolutistas do séc. XIV? Sim e não. As distinções e condecorações cavaleirescas, o seu fascínio e o seu prestígio perdurariam ainda por muito tempo, quase até aos nossos dias, e seriam alimentadas até por uma mitologia e uma literatura riquíssima, por vezes muito belas, capazes, portanto, de constituir uma voz de relevo no panorama cultural europeu. Assim de lenda em lenda, de condecoração em condecoração, de revivalismo em revivalismo, o fascínio da civilização cavaleiresca, sobrevive no mundo contemporâneo e soube mesmo adaptar-se ao mito do cowboy ou ao mundo da banda desenhada e ficção cientifica. A cavalaria nasceu morta: logo que nasceu, chorou diante do corpo de Rolando, caído em Roncesvales. As instituições cavaleirescas e a cultura que, entre o século XI e XVIII lhe conferiu prestígio, revelaram-se um dos motores mais poderosos do processo de individualização e de conquista de autoconsciência do homem ocidental, aquilo a que Norbert Elias chamou processo de civilização.
Touro à Corda Portugal: http://www.youtube.com/watch?v=UeUAZ2PAvnw
Capeia: http://capeiaarraiana.pt/category/toiros-e-cavalos/
Largadas: http://festataurina.blogspot.pt/2012/10/feira-anual-largada-de-toiros-vila.html
Chega de Bois: http://videos.sapo.pt/3iNqBBzPvDQSVhZyMTng
Rodeos: http://www.casttv.com/video/1sn5ub/rodeo-nas-caldas-da-rainha-video
Caça à Raposa: http://www.cavalonet.com/esh/DCR.htm
Hipismo: Corridas, movimentos, passeio, etc…
Cavalos Militares: membros das forças de segurança
ETC… : Carne da cavalo

Existem mais Cavalos!!!
Várias dezenas de cavalos são utilizados todos os anos nas touradas em Portugal.
São preparados para “exibir as suas aptidões naturais” nas lides desde muito novos, nasceram para aquilo e só poderão ser aquilo. Se o cavalo por “défice” físico ou “incapacidade de aprendizagem” que não conseguir executar as perícias necessárias para ser um cavalo de tourada, então será “descartado”. Uma pergunta fica no ar.
O que acontece aos cavalos que não “se adaptam”?
Sabemos o que acontece aos que se “adaptam”, são “bem tratados”, exibidos com honras de reis, avaliados segundo a sua performance, e depois arena, até sofrerem um “acidente” ou morrerem devido ás lides. Os que se salvam da morte na arena, quando perdem as “as suas qualidades” são encostados nas cavalariças, abandonados no campo, depois de lhes extraírem todo o seu valor comercial (esperma, prémios, etc.). O mesmo acontece com os touros. Os que sobram acabam em escolas de equitação, onde com sorte podem ter uma vida “sem exploração”. Outros servem para enganar algum comprador ingénuo de pura raça, fazer nome nas feiras de gado, etc. Com o crescimento do mercado de carne de cavalo, com a dificuldade em manter quintas, estábulos, e estilos de vida, o cavalo pode oferecer mais uma saída comercial para quem os possui. O treino dos cavalos, como qualquer método de educação pode ser realizado com ou sem violência física, crueldade e indiferença, ou domesticar mas é sempre uma obrigação do cavalo. Com mentalidade mostrada nos meios da tauromaquia em relação aos animais, com a violência que tanto orgulho trás a Portugal e que é aceite como tradição as especulações do que se passa nos bastidores, nunca poderão ser apelidadas de conspirações.
Verdades da lide cavalheiresca
Os cavalos chegam a ficar com feridas, que levam os veterinários a abate-los. Isto é feito longe dos olhares dos aficionados
Em algumas lides os cavalos são vendados e as suas orelhas tapadas para não ouvirem o touro a investir contra ele. Diz-se também que alguns toureiros para facilitar chegam a cortar as cordas vocais aos cavalos para não relincharem. Centenas de cavalos já morreram nas praças, ruas e ganadarias. Os cavalos na arena ao mostrarem as “suas perícias” estão a mexer no seu preço de mercado, as praças de touros são uma montra de cavalos. Ganadarias mostram os seus cavalos em encontros de Caça á Raposa, imitando a inglesa (proibida no país de origem). Os criadores dizem que é uma maneira de o cavalo mostrar o que vale em campo e da raposa “ poder fugir como no mundo natural”. Os cavalos passam horas dentro de camiões nos fins-de-semana de tourada, feira ou exposição. O seu transporte é sempre stressante para eles. Muitas vezes as condições nas praças são péssimas. A dopagem faz parte da tradição para melhoramento da performance. Os treinos para alta competição dos cavalos, pode ser comparado, com os actos condenáveis de treino intensivo de crianças para alta competição (especialmente ginástica) que saíram nos noticiários pelo mundo. Ou vistos como um dever que naturalmente o cavalo não seguiria. Enfrentar outros animais regularmente sentido perigo de vida, num espaço livre para correr, enfrentar o touro não é uma opção natural do cavalo.
Todos os animais lutam o mínimo, pode-se dizer que em percentagem o número dos que lutam até á morte ou que a morrem dos ferimentos ocorridos é muito menor que os que abandonam a luta. Todos os animais têm um medo natural do fogo, dos barulhos extremos, do homem. Todos estes medos foram “trabalhados” na domesticação. O cavalo por exemplo foi domesticado para ser montado, conduzido, carregar sobre outro animal sobre ordem, avançar sobre fogo, barulhos, para ser obrigado a movimentos que melhorem a sintonia com o homem. Nos dias de hoje aceita-se tão naturalmente que o cavalo (os animais em geral) só pode coexistir com o homem se tiver uma função que beneficie a humanidade. Para haver bons cavalos é preciso competição, melhoramento de raça, veterinária, e investimento nas qualidades “naturais” dos cavalos.
Como : “O que vamos fazer às vacas e aos porcos?” Se não os comermos!
Como se aceita como humanos, que temos de trabalhar, para ter direitos. “Se não trabalhares como comes, onde dormes?”.
Aceita-mos como normal a domesticação dos animais, não para conseguirem viver entre nós, mas sim para nos servir. O cão para guardar, um cavalo para deslocar, um porco para comer, uma raposa para vestir, caracol para ficar mais bonita. Como alguns aceitam a presença de imigrantes perto para ajudar na construção do país (na construção, produção e entretimento), de resto, “Para que servem?”
Até aqui falámos dos cavalos que orgulhosamente são apresentados nas touradas, nos circos, nas corridas, nas lutas, na alta competição, nas exposições. A bandeira e orgulho dos criadores, treinadores, domadores, e atletas.
Os que não representam a raça
De seguida falaremos dos que sobram: os que se lesionam, não perdem os medos, os que nascem com deficiências, os que falham as diretrizes para ser exemplar de raça pura. Boa parte são abatidos, outros são levados para vendedores de mercados de segunda, terceira, etc…Uns são criados para cinema, com truques específicos, movimentos forçados e decorados sob meios de tortura (fome, violência física, objetos de “domesticação”, impedimento de comportamentos e instintos naturais).Outros domesticam-se para passeios, exposições, competições, serviço militar, etc.
Um novo negócio que alguns podem não saber, é que agora o consumo de carne de cavalo está a ser introduzido nos talhos, restaurantes e dietas europeias, incluindo Portugal.
Exemplo do amor pelos cavalos em Portugal:
Carne de Cavalo por Vaca.
Controlo de indivíduos: (cavalos garranos) no Norte de Portugal. “(…)Quando capturados após o cerco são retiradas crias das manadas para serem vendidos na feira anual. Muitos destes potros vendidos são abatidos para alimentação, pois a carne de Garrano é considerada um petisco (…)
O cavalo para ser cavalo não tem de se adaptar à vida do homem, o homem para ser livre é que tem de se adaptar à vida do cavalo.

FIM? DE QUÊ? DA TAUROMAQUIA? DA CAVALARIA? DOS OLHOS? DO ESPECISMO? DO QUE ACREDITAS?

 

 

 

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NATO Chief Says Bloc Stands Firm Behind Kiev Choco-Fascism

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Educação como Domesticação by Layla AbdelRahim

Educação como  Domesticação by Layla AbdelRahim

(Traduzido de: www.fifthestate.org)

Cadeia alimentar 2

Somos levados a pensar desde crianças que tudo no mundo existe numa cadeia alimentar como um “recurso” para ser consumido por aqueles mais acima na cadeia alimentar e actualmente como consumidor de “recursos” que são os mais baixos da hierarquia predatória. Também nos dizem que a vida selvagem é violenta com perigos morais e que a civilização poupou-nos uma existência cruel. Como crianças, vamos acreditar que avida na civilização é boa para nós, até mesmo indispensável para a nossa subrevivência.

A civilização de hoje, nomeadamente a Europeia Ocidental, deve a sua existência á Revolução Agrícula, que nasceu no Fértil Crescente com a domesticação de trigo no Médio Oriente cerca de 17,000 Antes de cristo – um evento seguido pela domesticação de cães na Ásia cerca de 12.000 A.C. e independentes civilizações paralelas na América do Norte cerca de 11.000 AC. Uma nova concepção de comida alimentou a praxis socio-ambiental ao levar alguns humanos a mudar as suas estratégias de subsistência daquelas baseadas numa concepção do ecossistema como selvagem ou que exista para seu próprio propósito suportando a diversidade da vida para ver o mundo como servo dos propósitos humanos, para ser manejada, privatizada, e consumida.

apoiocp5ab-130902155101-phpapp02-thumbnail-4Portanto, a civilização começou não simplesmente como uma revolução agrícula; em vez, a revolução ocorreu na conceção ontológica e monocultural do mundo como existir para servir o homem, criando a necessidade de tais conceitos como recursos, hierarquia, e trabalho. Porque a civilização tem raízes na apropriação dos alimentos e “recursos naturais” como também trabalho escravo ( cães, cavalos, vacas, mulheres, mineiros, agricultores, etc…), todas as nossas instituições inadvertidamente segue esta construção e as necessidades que foram geradas pela prespétiva monocultural. È por isso que toda a instituição contemporânea ou corporação têm um departamento de “Recursos humanos” e está acorrentado ao manuseamento, matança e proteção da propriedade dos recursos naturais e outros.

Todos, incluindo humanos, tornam-se “profissionais” e portanto divididos em géneros, ètnias, raças, e outras categorias especializadas em esferas especificas de trabalho, portanto caindo na definição de nichos da “cadeia alimentar”. A linguagem reflete esta categoria e naturaliza a opressão. Por exemplo, em línguas europeias, a humanidade confundida coma masculanidade. A palavra “mulher” permite-nos inconscientemente aceitar que a fiminalidade detêm um aspecto de humanidade que apaga a nossa (femea) animalidade excluindo a despersonalização de animais não humanos dos privilégios acordados para alguns animais (pequeno grupo de primatas) ao pertencer à “humanidade ”. Ao separar estas categorias de humanidade, animalidade, fiminilidade, machismo, raça, etnia, etc. , a linguagem põe um véu na essência racista e especista da civilização onde mulheres humanas e não humanas tem sido relegadas para uma classe especializada na produção de recursos não humanos e humanos.

especismo+y+usos+diferentesComo crianças, somos programados através da linguagem para aceitar o nosso lugar “ especial” e papeis no ciclo da repressão.Consequentemente, os africanos foram forçados a trabalhar em plantações e minas. A classe mais desposada e baixa da Europa era tornada servil. As vacas tornam-se “comida”, os cavalos para trabalho ou entretimento, animais selvagens exterminados ou caçados por desporto, só para mencionar alguns exemplos. Tal opção de culturas socio-ambientais ocorreram esporádicamente em sociedades humanas e não humanas durante a história da vida. No entanto, até ás civilizações Egípcias e do Médio Oriente conquistarem a Europa, este paradigma de subsistência baseado na exploração e consumo nunca atingiu a escala global que estamos a viver.

Ao crescer no Sudão, aprendi, tão cedo como no quinto ano, sobre a civilização através do curriculum britânico e, desde então, a zona de Tigres e Eufrades como também o Indus Valley capturaram a minha imaginação. No entanto, continuei com duvidas sobre a dissonância entre sentido profundo de felicidade e serenidade que experimentei na minha infância na presença do mundo selvagem e da aceitação na epistomologia civilizada que relata o mundo como inóspido para nós, onde a vida significa luta e sofrimento. Mesmo quando aceitando este sofrimento e luta até aos meus 20 anos, eu sabia lá no fundo que estando no mundo e no meu corpo era uma fonte incrível de alegria quando não submetida a decretos capitalistas, religiosos ou civilizados para obedecer aqueles acima na hierarquia da “cadeia alimentar” para trabalhar, explorar outros, e consumir.

Esta ligação entre comida, colonização e civilização esteve sempre articulada nos livros escolares como algo positivo, inteligente, e importante. Começando com o nosso curriculum escolar, escola obrigatória endotrinanos e faz coerção para que participemos neste processo de colonização.

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A colonização de sucesso depende da extensão pela qual os recursos domesticados são capazes de gerar valores excedentes  de produtos, serviços, ou carne para os donos/consumidores com o minimo de trabalho. Para o conseguir, aquele que domestica deve modificar o propósito de ser da vitima da vida selvagem por uma razão incondicional de que quem existe para trabalhar mais produtivamente em menor quantidade de tempo, no mais pequeno espaço possível, e com o menor gasto de energia possível. O domesticador deve também educar ou convencer os “recursos” que eles são recursos. Então a civilização começa com a modificação do interior ou ser domesticado. Quanto mais cedo este processo começa, melhor, preferivelmente á nascença e mesmo antes da concepção quando o próprio conceito de criança é construído no entendimento que a raison d’etre é servir a ordem social maior, abstrata e exterior chamada de “bem comum”. A civilização precisa e portanto criou um sistema de modificação do comportamento da criança por meios imposição sistemática de informação civilizada, lógica,e esquema, nomeando a: escola.

Um fisiologista anarquista soviético e diretor do Moscow laboratory for developmental physiology entre 1935 3 1978, Ilya Arshavsky, viu o mundo selvagem como um lugar de moral, porque o selvagem é guiado pela empatia e o conhecimento de que a vida deve florescer em diversidade para podermos viver saudáveis. O selvagem não tem outra opção do que colaborar com a diversidade e vida. A civilização, em contraste, diz Arshavky, é imoral, porque os civilizados acordaram entre eles o direito de escolher quem punir ou quem salvar, torturar ou não torturar, matar ou não matar. Mais importante, ele explica como o parentesco e a escola civilizada são responsáveis pela devastação ecológica, guerra, e outras formas de brutalidade contra animais e mundo selvagem. Não é um acidente, no entanto, que a educação civilizada toma lugar na esterelização da escola, onde as crianças são fechadas grande parte da sua vida, entre 4 paredes e são ensinadas través de tinta e outro tipo de media de como suceder ao trabalhar na civilização para reforçar a hierarquia.

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Em qualquer escolar no mundo, com a excepção de animais de quinta ou enjaulados mantidos com o propósito de treinar as crianças na domesticação, as crianças são mantidas longe de outra espécie ou mesmo de diferentes grupos de idade e gerações de humanos. A estortura, sócio económica do espaço publico e da inequidade na distribuição de bens segrega as crianças alunas por classes mesmo nas escolas onde se fazem tentativas de misturar géneros, grupos étnicos e classes sócio económicas. De maneiras tingiveis, a escola assegura que é negada á criança a possibilidade de experimentar a vida fora das paredes ou atrás do limite da rede familiar, porque mesmo as relações familiares são secundárias relativas ao tempo que a criança passa na escola e para a importância colocada na escola. Portanto não aborvem real conhecimento de como mundo funciona ou sofre ou como o seu paradigma de subsistência na civilização causa sofrimento e morte a outros.

Anos de tal isolamento limita a habilidade da criança de se sentir ligada com outro humano ou não humano e leva-as a aceitar a ética enraizada na alienação, hostilidade com o selvagem, e ignorância. De facto, imortalidade, crueldade e ignorância constituem o feito mais proeminente da civilização, então é razoável que, seja esta agenda articulada ou não, as escolas trabalham para instalar estas qualidades em futuros “recursos humanos” e portanto competição, bullying, e outras formas de violência que crescem nas escolas hoje refletem esta fundação.

Em ontologias selvagens, seres nascem com o seu próprio propósito e prazeres de ser. A sua existência é então a sua raison détre própria. O facto de que seres selvagens continuem a existir sem ninguém os ensinar como o fazer demonstra que crianças humanas e não humanas estão preparadas para aprender a viver; e desde que eles não podem evoluir num ambiente a morrer, também aprendem que o melhor para os seres vivos é manter o equilíbrio na comunidade que é a vida. Esta epistemologia, ou caminho de nos conhecermos a nós próprios e ao mundo, está enraizada na premissa fundamental do selvagem: nomeadamente, se a vida aconteceu na terra é porque as condições eram favoráveis á vida e o mundo é bom para a vida, depois seres vivos, pela virtude de viver, sabe o que é melhor para ele. O melhor para os seres vivos é saúde, diversidade, e alegria.

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A aquisição de tal conhecimento requer presença e a capacidade de entender o estado emocional e experencional daqueles que partilham um espaço, um mundo. Como escreve Erica-irene Daes em nome do Working Group on Indigenous Population estabelecida em 1982 olhando para as pessoas onde a cultura de subsistência são baseadas em relações sócio ambientais selvagens e sustentáveis:

“ Os povos indígenas olham todos os produtos da mente humana e coração como interligados, e como se fluíssem da mesma fonte: as relações entre as pessoas e a sua terra, o seu kinship com outras criaturas vivas que partilham a sua terra, e com o mundo espiritual. Dado que a fonte de conhecimento e criatividade é a terra e si, e toda a arte e ciência de um povo são manifestações das mesmas relações…”

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Nas sociedades selvagens esperasse que as crianças aprendam através de experimentação e interação com uma comunidade e família protetiva onde as crianças são encorajadas a tentar, testar, e experimentarsse a si próprios e o meio em redor.  Animais humanos e não humanos não domesticados permitem que as crianças desenvolvam os seus instintos e forçar relações bio diversas através da experiência, empatia, e auto realização, não interessa quanto obscura a auto realização possa parecer aos outros. Estes são exemplos anciãos que alastram a sociedade humana e de outras sociedades animais.O povo Semai de Malaya oferece-nos uma ilustração contemporânea de tal grau de parentesco e cultura infantil.

Como muitas outras sociedades indígenas pelo mundo, os Semai não impõem restrição se não em caso de violência ou jogos competitivos ou quando em resposta a perigo de vida emediato. Não incentivam as crianças a servir como também não praticam nenhuma forma de punição psicológica, moral, ou castigo físico da criança, porque vêem a criança como desejadora, e capaz de aprender simplesmente ao viver e gozar da proteção do amor incondêncional que a comunidade propiciona. Em tais sociedades, quando começam a gatinhar, as crianças assimilam a cultura de higiene e interação social, por exemplo, rapidamente aprendem onde ir á casa de banho sem livros, narrativas, ou ameaças de ostracisação. Eles também aprendem que qualquer expressão de crueldade, incluindo o consumo de animais que criam, não é parte de uma “ cadeia de comida natural”, mas constitui canibalismo e é parte de um contexto mais abrangente da violência que marca as relações civilizadas.

A pedagogia não pode então ter lugar no mundo selvagem. Só pode existir em sociedades civilizadas onde a intenção é integrar as crianças como futuros “recursos” numa hierarquia estabelecida de consumo ( ou esforço, trabalho, e vidas). Tal “integração” requer um sistema de educação que modifique o comportamento da criança, necessidades, e desejos. Isto é domesticação per se e requer a normal do propósito: a cadeia de comida pela qual tudo e todos supostamente existe. Pelo contrário na selva, onde é vital para a criança aprender a responder á mudança e diferentes inovações de maneira simbólica, na civilização, o controlo de o quê, quando e como as crianças aprendem constitui uma parte indispensável de um curriculum abstrato e fixo com a intenção de prepará-los para o trabalho em ambientes controlados e previsíveis produzindo e criando para a necessidade dos donos. A educação é portanto um sistema de domesticação que confia em  confinamento, isolamento, pensamento formulado, e linguagem representativa, no lugar de presença e experiência pessoal, onde o objetivo é irradiar idiossincrasia e em lugar disso inculte, pela dor e ausência de alimentação, o “conhecimento”, ou a noção que existimos não para nosso prazer, mas como um recurso de trabalho ou entretimento de alguem.

Tal modificação do propósito próprio e do eu torna-se o focus de relações inter generativas e constitui a maior experiência caracteristica da infância, durando, pelo menos, até á prematura idade de adulto, se não mais trade através da universidade e escolas de graduação. Esta prática vem da assumpção que a criança não aprenderá a viver ( na civilização) e servir outros como recurso a não ser que sejam forçados a aprender por ameaças e dor emocional e/ou física infligida sistematicamente. E claro, isto tudo uma precisa contenção, para as crianças saberem que existem para gozar avida, não para a torturar, não sofrer por ela, e não extingui-la. A resistência á domesticação sempre foi forte. Antes, demorava décadas para erradicar a vontade selvagem e dificilmente em qualquer  os animais humanos e não humanos tornar-se-ão ferais

Em respeito a isto, a comida está no nexus da domesticação, colonização, civilização, e educação, por isso constitui a fonte, o método, e a razão intrínseca da violência da civilização. Especialmente, a retração de comida e a introdução da fome é o método de treinar pessoas não humanas para servir os interesses da sociedade humana domesticadora. Os animais humanos são domesticados da mesma maneira, por ameaças de pobreza ou fome, no seu core, é sobre a retração de alimentação e que constitui o principal método pedagógico em treinar recursos humanos: as escolas utilizam grades e outras castigos físicos e psicológico para convencer recursos futuros (trabalhadores) para encaixar com a ordem social.

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Nomeadamente, boas notas prometem um lugar melhor na cadeia de comida; notas baixas e maus relatórios ameaçados com a fome, desalojamento, isolamento social, e sofrimento tanto do desemprego ou de trabalho com movimentos repetitivos muitas vezes em condições horrorosas. Avaliação escolar serve para justificar a apatia da parte daqueles que exploram o sofrimento e trabalho daqueles que na força do sistema sócio económico no fim da cadeia alimentar. Por outras palavras, crueldade, apatia, e alienação são artificialmente incutidas em instituições de “aprendizagem” para se civilizar e colonizar recursos humanos e não humanos em nome da alimentação e simultaneamente pela cadeia alimentar. Estas qualidades não são efeitos colaterias ou resultado de um acidente indesejado da “natureza humana”; eles mentem no coração da agenda civilizada. De facto, são parte intrínseca do mecanismo que assegura a sua proliferação.

Portanto não é supresa do que mais que nunca, o ultimo século tem visto uma globalização sem precedentes de escolaridade obrigatória onde a formação e hábitos das crianças civilizadas tornaram-se largamente confinados a salas de aulas onde a estrutura hierática obriga obediência aos mais altos rakings da autoridade ( exemplo professor e representante de turma escolhido) e onde as crianças aprendem a ouvir o professor, a ler e a escrever. As classes são arranjadas por idade, pessoas de fora não podem entrar, e este confinamento de crianças em espaços com as mesmas idades elimina a possibilidade das crianças experênciarem o caos diário da vida no mundo real. No ultimo ´seculo, literatura e línguas coloniais tem sido impostas nas crianças pelo mundo sem olhar á sua cultura ancestral ou o trabalho que teriam para fazer inquéritos visando as capacidades para escrever, particularmente numa linguagem colonial e estrangeira.

A minha própria infância é uma ilustração perfeita desta colonização e as suas complexidades. Quando vivi na Rússia, a minha opinião da escola curricula era limitada ao Russo, que era a língua oficial na União Soviética e as nações “amigas”, e quando mudámos para o Sudão, foi para uma escola de inglês e árabe, ambas eram linguas do colonizador em África. Toda a minha educação era antropocêntrica e maioritariamente Eurocêntrica e alienada da vida real do Nordeste africano no qual eu vivia e que era devastado para servir 0 “ocidente/Médio Oriente” e as necessidades coloniais – primeiro trabalho escravo, depois para roubar marfim assassinou elefantes, depois algodão, cobre, uranium, e finalmente petróleo, entre outras infindáveis violações da vida. Depois da indepêndencia da Inglaterra em 1956, o Sudão herdou as fronteiras coloniais e manteve uma entidade colonial pela virtude do seu lugar na hierarquia da “post” economia colonial, portanto seguiu o legado da exploração mineira, escravatura, exploração, guerra, e desertificação, portanto re-iniciando o paradigma exploratório da cadeia de comida predatória. Isto é verdade para todas as nações estado do mundo contêmporaneo, e assim não pode haver soberania na civilização, que é colonialismo per se.

Como o modo mais efetivo de domesticação, a educação sempre teve um papel critico em todo isto. Históricamente, quando os árabes e mais tarde os europeus colonizavam um novo lugar, a primeira coisa que faziam era abrir escolas. Mesmo assim, apesar da relação casual entre civilização, sofrimento, e devastação ambiental, mais desesperadamente a situação ecológica cresce, quando mais se defender a escola e quanto mais os paós a exigirem para as suas crianças, aceitando a propaganda do estado que a educação é a resposta.

No entanto, os 10.000.000 anos de civilização demonstrou que foi a própria civilização que trouxe a organização violenta, espalhou pobreza entre as classes desposadas de animais humanos e não humanos, mal alimentados, stressados, e a quem a exploração enfraqueceu o sistema imune, enquanto abandonados em condições de vida que facilitam o alastrar de doenças contagiosas e epidemias.  Por exemplo, Armelagos e colegas discutem na sua pesquisa paleontológica em 1991 de como o sedentarismo e a agricultura aumentou on níveis de mortalidade, particularmente negativo nas mulheres, crianças, e adultos mais velhos. De acordo com eles, o sedden cresceram na população neolítica apesar do aumento de mortalidade ao reduzir os intervalos entre nascimentos e aumento de nascimentos por mulheres.

Noutros mundos, a civilização exigiu recursos humanos disponíveis para forças militares, policias, e trabalho duro, e esta demanda era para se encontrar pela adoção de um paradigma patriarcal que aumentasse a população monocultural, detiorando o sistema imunitário de indivíduos, grupos, e todo o ambiente. Mas eu não aprendi isso na escola, Pesquisei sozinha. Quanto mais educados nos tornamos, mais longe estamos de nos lembrar da felicidade de ser simplesmente um sere no mundo. Mesmo assim, país intrincheirados no projeto da civilização, independentemente do seu lugar nela, continua a acreditar que se as pessoas são melhor educadas, e mais profundamente domesticadas, com mais punição, que a felicidade virá.

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Não sabemos se neste ponto a crise ecológica pode-se prevenir. No entanto, mesmo assim devemos fazer tudo ao nosso alcance para encontrar a raiz e pará-la. Isto requer uma profunda re-examinação da epistomologia que giia a civilização e portanto o fim de todas as formas de coerção e encarceramento, incluindo, ou melhor começar pelas escolas.

 

Layla AbdelRahim é uma autora interdisciplinar que utiliza uma variedade de métodos de pesquiza e disciplinas para entender a civilização, mundo selvagem, e nosso lugar no mundo. No seu recente livro, Wild Children – Domesticated Dreams: Civization and the Birth of Education, examina a ligação entre civilização, domesticação, e educação confiando no seu journal entries como também pesquisa ethologica e  antropológica.

Para mais informação da sua critica à educação, civilização, literatura, e cultura visita o seu website:

www.layla.miltsov.org

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No 1º de Maio mostra que as mulheres e os homens negros são também profissionais qualificados

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