Black Block vs Jogos Olimpícos de 2010

Introdução

BLACK BLOCK CONTRA JOGOS OLIMPICOS DE INVERNO 2010

No dia 13 de Fevereiro uma marcha entupiu com sucesso as artérias do capitalismo ao ter um tempo de revolta mas ruas de Vancouver durante as manif’s contra os Jogos Olímpicos de Inverno 2010.

Nos dias seguintes, suposto aliados dos movimentos sociais as táticas e tentaram distanciar-se eles próprios dos elementos mais radicais deste movimento.

Num curto comunicado de união (Vancouver.mediacoop.ca/newsrelease/2739) que a Resistence Network articulou, os socialistas liberais que pouco ou nada participaram na organização das ações teve a iniciativa de denunciar a violência dos protestantes, não a da polícia.

Também questionaram a efetividade das táticas do Black Block.  O que se segue é uma transcrição do discurso de Harsha Walia’s ( No One Is Illegal Vancouver) num debate entre Harsha e Derek O’Keefe na diversidade de táticas.

O vídeo por completo do debate pode ser visto: Vancouver.mediacoop.ca/vídeo/2916

“Posso dizer-te que o scharze Block era uma tática, que tinha como objetivo prevenir que a polícia identifica-se e isola-se indivíduos que cometessem ações diretas durante uma revolta. Posso dizer que o vestir de preto significa: que somos todos companheiros, estamos todos solidários, somos todos iguais, e esta equidade liberta-nos da responsabilidade de aceitar uma culpa que não merecemos: culpa de ser pobres no mundo capitalista, culpa de ser anti – fascista em locais com ideais nazis, a culpa de ser libertário numa sociedade repressiva. Isto significa: que ninguém deve ser condenado por estas razões, e como somos atacados somos forçados a defendermo-nos quando marchamos nas ruas.

Porque a guerra, o capitalismo, os regulamentos laborais, prisões, hospitais psiquiátricos, essas coisas não são violentas, no entanto vês naqueles que querem viver livremente a sua homossexualidade, a recusa em encontrar uma família, vida coletiva e a abolição da propriedade como violentos.”

Claire Fontaine, This is not the Black Bloc.

O meu nome é Harsha. Tenho de admitir, nos termos deste debate, que dura á uma semana, que eu só li as mensagens e mail’s desta manhã enquanto preparava os meus pensamentos. Estou bastante frustrada e realmente zangada para ser honesta. Não vou entrar em generalizações esotéricas sobre a diversidade de táticas, porque penso que o ponto de partida é problemático, vou explicar porquê. Tentarei o mais especifica possível sobre o que aconteceu no sábado.

1º, quero localizar-me neste diálogo. Eu pessoalmente não participo nas táticas do black bloc, mas como organizadora comunitária e mulher de cor, apoio fortemente e firmemente a diversidade de táticas e em solidariedade com aqueles que enfrentam a repressão.

Fiz a marcha no dia 13 de Fev. nas demonstrações Heart Attack com outros membros da No One Is Illegal, que é um colético predominantemente de pessoas de cor. Enquanto não posso falar das motivações pessoais e intenções daqueles que praticam as tácitas do black bloc, penso que a distância que tenho dessas táticas é útil neste debate, porque existe esta ideia que só aqueles que praticam ações black bloc é que apoiam as táticas black bloc. Isto é uma tentativa para marginalizar e isolar os companheiros, por isso espero que a minha presença conte.

Uma das criticas às taticas do black bloc é que levada a cabo predominantemente por homens brancos e portanto é inerentemente opressivo para as mulheres de cor e particularmente para mulheres indígenas. Como mulher de cor, posso dizer as táticas do black bloc não me oprimem nem fico mais vulnerável nos protestos. Portanto agradecia se outros homens brancos não fizessem comentários desse tipo em minha defesa.

Dito isto, quero falar de 10 pontos sobre o black bloc.

1º TATICA

Primeiro de tudo, o black bloc é uma tática. Como outra qualquer outra tática não pode ser julgada por si, mas pode ser julgada como parte de um spectrum de um movimento bem maior e como parte de um spectrum de táticas em que todos participamos. Os B.B. têm várias utilidades, ambas defensivas e ofensivas. Penso que o ponto que raramente é falado é o das estratégias defensivas. Como se sabe, muita da atividade do B.B. nos anos 70 e 80 na Europa incluía ações importantes, incluindo a de libertar ativistas. Incluía o principio básico de ninguém fica para trás, não deixamos pessoas nas linhas policiais e decidimos fugir, e por isso o B.B. é muito corajoso.

Quero citar Barbara Ehrenreich que sugere que a maior utilidade do B.B. é quebrar a pesada natureza ritual da desobediência civil moderna. Quando falamos sobre táticas, temos de ser capazes de colar as táticas B.B. a outras muitas táticas. Portanto o facto de outras táticas poderem ou não poderem ser mais efetivas, não, só por si, fazer da tática B.B. menos efetiva. Penso ser importante esta afirmação, porque tudo foi reduzido a se partir vitrinas é efetivo ou não. Penso que como ponto de partida é fundamentalmente problemático, porque este movimento é muito mais que partir vitrinas mas também é sobre partir vitrinas.

2º VIOLÊNCIA

O próximo ponto que quero acentuar sobre o B.B., é se o movimento utiliza táticas violentas. A única resposta que quero dar sobre isso é que está a ver o lado errado da questão sobre violência. Se vamos falar de violência, precisamos de falar sobre corporações, o estado, os militares, e a polícia que cometem atos de violência diariamente sobre pessoas. Nenhum individuo ou animal foram até hoje magoados na Manif de 13 de Fevereiro. Apenas as vitrinas sofreram. Portanto vamos ser claros sobre o que estamos a falar antes de começarmos a perpetuar a retorica mainstream dos média sobre violência e alimentar a retorica do inimigo.

3º MÁSCARAS

O fato das pessoas serem anónimas quando poem mascara não é único. Como sabemos, as pessoas usam mascaras por todo o mundo, provavelmente os mais romantizados são os Zapatistas. Se vamos ser solidários com as lutas globais, temos de entender que as razões de se usar mascaras é a mesma que os Chipatas ou na Palestina ou o B.B. nas nossas ruas. Vigilância estatal, principalmente no contexto das Olimpíadas onde pessoas foram visitadas pela Unidade de segurança de Vancouver, significa que as pessoas têm de se proteger. Para mim, o B.B. não é anónimo. È uma tática e os seus membros são conhecidos por mim. Se as pessoas quiserem vir cá, conhecerão alguns deles.

4º POLICIAS PROVOCADORES

Existe esta ideia, relaciona com o anonimato, que o movimento é mais propicio a provocadores. Todo o movimento é propício a provocadores. Os provocadores que foram desmascarados no dia 12 estavam a passar por jornalistas, não por membros do B.B. Outro exemplo bem claro aconteceu em Montebello quando os provocadores da policia se apresentaram como B.B., foram desmascarados por membros do B.B.

5º ORGANIZADORES vs SUBVERSIVOS

Existe uma infeliz barreira que foi criada entre os organizadores dia-a-dia e ações subversivas. Os críticos levantam falsas acusações de falta de organização com o movimento, construída por anarquistas. Eu própria considero-me anarquista. Como as pessoas sabem o Tent Village esta a acontecer neste momento. Os anarquistas entregaram-se horas, 16 horas, para contribuir para o Tent Village. Inclui mudanças de turno, construção, cozinha, limpezas, tudo sobre a orientação da DownTown Eastside and Elders. Para alguém que está no local 20 horas por dia, não posso dizer, infelizmente, o mesmo daqueles que parecem estar a utilizar estrategicamente ações diretas como o tent city em debates sobre construção de movimentos.

6º EFETIVIDADE

O meu ponto principal, e já falei sobre isso, é que todas as táticas devem ser julgadas pelo mesmo ponto de partida.

Isto é, para mim, o ponto crucial do argumento. Não é porque as táticas do Black bloc em contextos específicos são imunes para critica. Se as pessoas têm críticas sobre o 13th, então vamos falar sobre um criticismo específico. Isso inclui, se nós vamos ter manif de massas onde se oferecem aos políticos palcos para falarem livremente apesar da violência diária pela qual são responsáveis. Podemos falar sobre o fato que manif’s simbólicas uma vez por ano são ineficazes. Se vamos falar de efetividade, temos de ter o mesmo ponto de partida para todas as táticas. Estou agradecida por este debate, mas na próxima vez que houver uma manif simbólica a pedir aos políticos para nos darem alguma coisa, vamos falar da sua efetividade.

B.B. é uma estratégia que faz parte de um movimento, e não podemos nem romantizar nem generalizar ambas as táticas. As táticas podem ser efetivas, podem não ser efetivas, mas inerentemente não são nenhumas das duas. Seja a tatica de partir montras simbólico e não dar em nada, mais uma vez, muitos dos nossos protestos são simbólicos. Como outro movimento de massas, temos de considerar isso como uma longa campanha. Portanto se vamos falar da tatica B.B., temos de falar dela como parte do movimento anti- Olympic. Na minha opinião, não se pode separar as duas e tanto quanto sei, o movimento anti Olympic como um todo tem tido sucesso.

Se a tática black block de partir montras seja simbólica e nada ganhe, mais uma vez, muitos dos nossos protestos são simbólicos. Como qualquer outro movimento de massas, temos de os considerar como parte de uma longa campanha.”

 

Nos termos da tática B.B. em si ou fora de si, se a queremos separar, tenho de argumentar que tem sido efetiva por variadas razões. A primeira é que a tática ajuda a criar movimentos de massas, o que vai contra a imagem que o B.B. é contra movimentos de massas. E penso que acontece de várias maneiras. A primeira é que não há monopólio do movimento de massas. Existem muitas pessoas que não participa, que são a monocultura de um movimento de massas, em protestos simbólicos, e que acham a ação direta negativa. Dessa prespetiva, o B.B. está a crescer, e portanto, o B.B. como parte do movimento está a ajuda-lo a crescer.

Segundo, patrocinadores de corporações, na minha experiencia, só foram mencionados nos média quando foram alvo de ações subversivas e atacadas. Muitas aconteceram em Ottawa, em particular em Montreal. Em termos de efetividade, a única vez que ouvi falar do envolvimento da Hudson’s Bay Company e a Royal Bank na indústria do Olympic foi depois de terem sido atacadas.

Também argumento que o B.B. atualmente ajuda a abrir espaço para mais táticas , e isso é algo com n~~ao posso enfatizar mais. Argumento que o sucesso da marcha memorial e o sucesso do Tent Cicy, pelo menos em parte, foi devido ao dia 13 de Fevereiro. A razão para isso é que as forças de segurança, porque criaram o bom e o mau protestante, estiveram largamente de fora do Tent City. E parte da razão pela qual o tent  City está positivamente nos média foi a identificação do grupo como pacifico que deve ser defendido e apoiado. Portanto argumento que o B.B. ajudou sem dúvidas a construir um espaço para outras variadas táticas terem acontecido, que não existem isolados deles.

Por detrás disso, penso que construir um movimento de massas é sempre uma tática de sucesso. Se isso fosse o caso, barreiras nas estradas pelos indígenas não aconteceriam, porque teríamos de esperar que cada Canadiano aponta-se o nacionalismo canadiano. Ação direta acontece porque existe a necessidade de tal. Ação direta acontece porque as pessoas estão a responder, e não se está a espera de milhões de pessoas para que a revolução aconteça.

7º MENOSPREZAR PROTESTANTES PACIFICOS

Um dos pontos que as pessoas levantaram foi que algumas vezes o block inferioriza outras táticas. Penso que é um argumento justo e penso que uma separação de táticas é por vezes necessário. O que foi especifico sobre esta convergência é que aconteceu e o B.B. tem estado em comunicação com os organizadores de toda a convergência.

12 de Fev. foi apelidada como uma ação de inclusão e amiga das famílias, e o B.B. esteve presente. Na linha da frente no nesse dia encontravam-se pelos lideres indígenas com dois contingentes logo de seguida, um dos quais No One is Illegal. A seguir estava o B.B. Todo isto em consulta com o 2010 Welcoming Committe.

Não vamos também esquecer que elementos B.B. estiveram presentes no dia 14 de Fev. no Women’s Memorial March. Muitas pessoas usaram estrategicamente  o Missing and Murdered Women’s Memorial March para dizer que as pessoas estão preocupadas com as infiltrações do B.B. na marcha. Certificámo-nos que todos saberiam o protocolo da marcha memorial, incluindo não utilizar mascaras por respeito ás mulheres desaparecidas e assassinadas, e isso foi honrado sem perguntas.

8º PÔR OUTROS EM RISCO

O dia 13 foi criado como uma diversidade de táticas. Como alguém que desfilou no dia 13 desmascarada, não me senti ameaçada nem em maior risco. Não posso falar por todos, mas posso falar por mim. Estava feliz por ali estar e estava feliz por ver o B.B. fazer das suas.

Para aqueles que não sabiam o que esperar houve vários comícios, alguns dos quais publicamente anunciados, para todos que estivessem interessados em receber informação antecipadamente. Dentro da demonstração, houve uma escala de cores desde o verde ao vermelho e em nenhum ponto vi o B.B. a tentar se esconder por detrás de outras zonas. E penso que é importante relembrar, que pessoas foram detidas no dia 13 desde a zona verde e laranja e nenhuma denunciou o B.B., então porque o fazem outras pessoas?

Também existe a ideia que o B.B. reforça e legitima o estado policial. Bem, se este argumento vai ser utilizado, mais vale não sairmos há rua. Este tipo de argumento é falso, porque este estado policial justifica-se por si só. Não podemos culpar aliados pelo aumento da brutalidade policial e das crescentes visitas da Vancouver Integrated Security Unit.

“ No que me diz respeito, os média nunca estiveram do nosso lado! Os média não são o cerne do sucesso dos nossos protestos, e os média corporativos e a policia não deviam ser deixados em paz por nós, e devemos responder aos seus jogos de manipulação e á suas denuncias.”

 

9º OS MEDIA

Isto devia ser óbvio. Que os média e a lei não podem ditar os termos do nosso debate. Existe esta ideia de que como fomos denunciados nos média, perdemos a credibilidade. No que me diz respeito, os media nunca estiveram do nosso lado! Os média não são o apogeu dos protestos, e os media e a policia não devem ser deixados em paz por nós, devemos responder às suas acusações e denuncias. Devemos ser bem claros em não denunciar os nossos camaradas como violentos. O fato de que os media não estão a querer esta versão, e porque se pratica a destruição de propriedade contra o Hudson’s Bay, não é culpa do B.B. os média não pegaram em 7 anos o porquê das pessoas protestarem contra os Olympics.

10º SOLIDARIEDADE

Solidariedade não iguala censura. No que me diz respeito, não penso que alguém que pratique taticas B.B. ou as apoia está a pedir aos aliados para os censurarem. O que peço é para as pessoas não porem comentários facebook como “parvalhões do B.B.” e “que confusão de táticas”. Podemos enfatizar a comunicação entre aliados. Não vamos denunciar pessoas publicamente. Não vamos denunciar pessoas por vagas generalizações. Vamos assumir um acordo de diálogo. Vamos assumir um acordo faze-lo em pessoa.

NENHUMA AÇÃO É SUFECIENTE POR SI, BLACK BLOCK OU OUTRA

“È verdade que o estado não é uma vitrina, mas também não é um conceito abstrato. Partir vitrinas não é um ato revolucionário como nenhum outro ato se realizado fora de contesto e apresentado como uma abstração, ignorando as intenções e as estratégias daqueles que partem montras.

O estado ou o capital ou o colonialismo não podem ser atacados como abstrações. Só podem ser atacados nas suas formas materiais, nas suas relações sociais e nas suas instituições. Não é possível atacar todas as formas e componentes materiais da opressão de uma só vez, então devem ser atacados por partes, em diferentes alturas e localizações.”

OSHIPEYA

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