O Homem e o Cavalo

O Homem e o Cavalo

063

 

O cavalo terá sido dos primeiros animais a ser domesticado pelo homem. Depois do cão para defesa e caça decerto o cavalo foi dos animais a seguir, para ser utilizado no transporte e para ajudar o homem percorrer distâncias longas mais rápido e com mercadoria que por si não conseguiria.

O cão e o cavalo desde cedo foram escolhidos como animais companheiros e até aos dias de hoje são os que merecem mais atenção, carinho e reconhecimento de “personalidade” pelo homem. O cavalo pela sua força e rapidez foi também o primeiro “tanque de guerra” nas batalhas. Até aos dias de hoje os cavalos são usados como escudo e arma de ataque, de forças de segurança no controlo de massas, em batalhas tribais e nas touradas.

Nos dias de hoje as touradas serão o pior “dever” de um cavalo?

Serão pior que as várias “áreas de alta competição”, como corridas, hipismo ou lutas?

De todas as formas de exploração do cavalo, a tourada apesar de esconder muito, é a vertente equídea que mais violência mostra publicamente, e que diz ser para o bem dos animais.

As famílias que hoje defendem a tradição, defendem a mesma tradição do “cavalo tanque”. (cavalo-contra-manifestantes)

Os cavalos das touradas são tão obrigados a aprender os movimentos a executar na praça como um cavalo de guerra no campo de batalha, um erro pode ser pago com sangue, normalmente do cavalo. São tão obrigados a enfrentar o touro, como o cavalo de guerra o exercito inimigo.

Como na alta competição o homem ao pensar conhecer melhor o cavalo, que o próprio cavalo, obriga-o a exceder os seus limites naturais, seja com treino intensivo, tortura, cruzamentos genéticos, com esteroides ou com simples instrumentos de lide. Os cavalos de alta competição vivem dominados, drogados, isolados. Todos conhecemos o sofrimento que os cavalos sofrem na arena, muitas vezes até á morte. O que muitos não sabem é o que se passa nos bastidores do mundo da tauromaquia.

As campanhas apontam o Touro como a principal vitima, o que é verdade, mas os cavalos são tão obrigados como eles, e tão vítimas quanto ele. E è por ai que começam os problemas, a domesticação e treino para alta competição.

 

A tradição apoiada pela tauromaquia cobre também: Touro á corda; Picadeiros; Capeia; Largadas; Chega de Bois; Rodeos; etc. A tradição com o cavalo; corridas; caça á raposa; Hipismo, utilização militar, etc.

 

Touro à Corda Portugal: http://www.youtube.com/watch?v=UeUAZ2PAvnw

Capeia: http://capeiaarraiana.pt/category/toiros-e-cavalos/

Largadas: http://festataurina.blogspot.pt/2012/10/feira-anual-largada-de-toiros-vila.html

Chega de Bois: http://videos.sapo.pt/3iNqBBzPvDQSVhZyMTng

Rodeos: http://www.casttv.com/video/1sn5ub/rodeo-nas-caldas-da-rainha-video

Caça à Raposa: http://www.cavalonet.com/esh/DCR.htm

Hipismo: Corridas, movimentos,  passeio, etc…

Cavalos Militares: membros das forças de segurança

ETC… : Carne da cavalo

 

Várias dezenas de cavalos são utilizados todos os anos nas touradas em Portugal.

São preparados para “exibir as suas aptidões naturais” nas lides desde muito novos, nasceram para aquilo e só poderão ser aquilo. Se o cavalo por “défice” físico ou “incapacidade de aprendizagem” não conseguir executar as perícias necessárias para ser um cavalo de tourada, então será “descartado”. Uma pergunta fica no ar.

O que acontece aos cavalos que não “se adaptam”?

Sabemos o que acontece aos que se “adaptam”, são “bem tratados”, exibidos com honras de reis, avaliados segundo a sua performance, e depois arena, até sofrerem um “acidente” ou morrerem devido ás lides. Os que se salvam da morte na arena, quando perdem as “as suas qualidades” são encostados nas cavalariças, abandonados no campo, depois de lhes extraírem todo o seu valor comercial (esperma, prémios, etc.).

Os que sobram muitos acabam em escolas de equitação, onde com sorte podem ter uma vida sem exploração. Outros servem para enganar algum comprador ingénuo de pura raça, fazer nome nas feiras de gado, etc. Com o crescimento do mercado de carne de cavalo, com a dificuldade em manter quintas, estábulos, e estilos de vida, o cavalo pode oferecer mais uma saída comercial para quem os possui.

Outros são salvos por grupos de salvamento e proteção de cavalos e burros.

 

O treino dos cavalos, como qualquer método de educação pode ser realizado com ou sem violência física, crueldade e indiferença.

Com mentalidade mostrada nos meios da tauromaquia em relação aos animais, com a violência que tanto orgulho trás a Portugal e que é aceite como tradição as especulações do que se passa nos bastidores, nunca poderão ser apelidadas de conspirações.

 

Pontos:

  • . Os cavalos chegam a ficar com feridas, que levam os veterinários a abate-los. Isto é feito longe dos olhares dos aficionados
  • Em algumas lides os cavalos são vendados e as suas orelhas tapadas para não ouvirem o touro a investir contra ele. Diz-se também que alguns toureiros para facilitar chegam a cortar as cordas vocais aos cavalos para não relincharem
  • Centenas de cavalos já morreram nas praças, ruas e ganadarias.
  • Os cavalos na arena ao mostrarem as “suas perícias” estão a mexer no seu preço de mercado, as praças de touros são uma montra de cavalos
  • Ganadarias mostram os seus cavalos em encontros de Caça á Raposa, imitando a inglesa. Os criadores dizem que é uma maneira de o cavalo mostrar o que vale em campo e da raposa “ poder fugir como no mundo natural”
  • Os cavalos passam horas dentro de camiões nos fins-de-semana de tourada, feira ou exposição. O seu transporte é sempre stressante para eles. Muitas vezes as condições nas praças são péssimas.
  • A dopagem faz parte da tradição para melhoramento da performance
  • Os treinos para alta competição dos cavalos, pode ser comparado, com os actos condenáveis de treino intensivo de crianças para alta competição (especialmente ginástica) que saíram nos noticiários pelo mundo. Ou vistos como um dever que naturalmente o cavalo não seguiria. Enfrentar outros animais regularmente sem perigo de vida, com espaço livre para correr não é uma opção natural.

 

 

Na verdade para se ter uma mínima ideia do que se passa nos bastidores dos desportos de alta competição com cavalos ou outros animais é só ler sobre os problemas que ao longo dos anos se tem sabido sobre doping, adição, lesões, mortes instantes, prolemas neurológicos, psicológicos, etc… dos atletas humanos de alta competição.

 

Mas o homem tem mais liberdade para aceitar, perceber ou decidir qual a necessidade.

A maneira como se vê o “bem-estar” do atleta humano e o “bem-estar” do animal (cavalo) é bem diferente, é um bom exemplo de especismo. O bem-estar do homem, de um modo dá-lhe mais liberdade, para os animais é o contrário. O homem tem mais dinheiro, mais segurança, mais apoio médico, policial, governamental, direito a manter a sua família unida (enquanto for opção), aos melhores luxos, que o “libertam”.

Para os animais (cavalo) o seu bem-estar, é direito a doar os eu esperma e “imortalizar o seu sangue e nome”, ter uma box só para si para não haver perigos de “danos”, muitos (ou todos) são castrados para melhor maneio, nunca vão poder viver em família juntos e livres.

 

Com uma grande diferença os animais não conseguem fazer perceber a sua tristeza, dor, cansaço, solidão, etc. a grande parte da comunidade humana.

 

Todos os animais lutam o mínimo, pode-se dizer que em percentagem o número dos que lutam até á morte ou que veem a morre dos ferimentos ocorridos é muito menor que os que abandonam a luta. Todos os animais têm um medo natural do fogo, dos barulhos extremos, do homem.

Todos estes medos foram “trabalhados” na domesticação. O cavalo por exemplo foi domesticado para ser montado, conduzido, carregar sobre outro animal sobre ordem, avançar sobre fogo, barulhos, para ser obrigado a movimentos que melhorem a sintonia com o homem.

Nos dias de hoje aceita-se tão naturalmente que o cavalo (animais) só pode coexistir com o homem se tiver uma função que beneficie a humanidade. Para haver bons cavalos é preciso competição, melhoramento de raça, veterinária, e investimento nas qualidades “naturais” dos cavalos.

Como : “O que vamos fazer às vacas e aos porcos?” Se não os comermos!

Como se aceita como humanos, que temos de trabalhar, para ter direitos. “Se não trabalhares como comes, onde dormes?”.

Aceita-mos como normal a domesticação dos animais, não para conseguirem viver entre nós, mas sim para nos servir. O cão para guardar, um cavalo para deslocar, um porco para comer, uma raposa para vestir, caracol para ficar mais bonita. Como alguns aceitam a presença de imigrantes perto para ajudar na construção do país (na construção, produção e entretimento), de resto, “Para que servem?”

 

Até aqui falámos dos cavalos que orgulhosamente são apresentados nas touradas, nos circos, nas corridas, nas lutas, na alta competição, nas exposições. A bandeira e orgulho dos criadores, treinadores, domadores, atletas.

 

De seguida falaremos dos que sobram: os que se lesionam, não perdem os medos, os que nascem com deficiências, os que falham as diretrizes para ser exemplar de raça pura. Boa parte são abatidos, outros são levados para vendedores de mercados de segunda, terceira, etc…

Uns são criados para cinema, com truques específicos, movimentos forçados e decorados sob meios de tortura (fome, violência física, objetos de “domesticação”, impedimento de comportamentos e instintos naturais).

Outros domesticam-se para passeios, exposições, competições, serviço militar, etc.

Um novo negócio que alguns pode não saber, é que agora o consumo de carne de cavalo está a ser introduzido nos talhos, restaurantes e dietas europeias, incluindo Portugal.

cavalo6imagesindex

 

Exemplo do amor pelos cavalos em Portugal: Carne de Cavalo por Vaca

Controlo de indivíduos: (cavalos garranos) no Norte de Portugal. “(…)Quando capturados após o cerco são retiradas crias das manadas para serem vendidos na feira anual. Muitos destes potros vendidos são abatidos para alimentação, pois a carne de Garrano é considerada um petisco (…)”

 

Se queremos melhorar a sociedade atual. Dar passos para que o futuro seja “mais humano”, que melhore o “bem estar” dos animais temos de abandonar a ideia de que para salvar temos de ensinar, adaptar, valorizar, etc… Seja animais de outra espécie ou da nossa própria. Se não gostamos como seres humanos de ser explorados, enganados, educados para servir, obedecer e trabalhar para a nossa prisão, devemos exigir o mesmo para aqueles que gostamos e sempre viveram em “comunhão” com o ser humano.

O cavalo para ser livre não tem de se adaptar à vida do homem, o homem para ser livre é que tem de se adaptar à vida do cavalo.

Anúncios
Esta entrada foi publicada em ESPECIFISMO, LIBERTAÇÃO ANIMAL com as etiquetas , , , . ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s