Primitivismo. A Civilização esta errada?

A CIVILIZAÇÃO É UM ERRO?

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A discussão se a civilização é um erro para nós, povos civilizados, pode parecer irónico, olhando para as condições dos povos não civilizados.

Quantos de nós acredita e quer profundamente abandonar a electricidade, os transportes de carga, para viver sem casa e a alimentar-se de comida silvestre?

A tendência da civilização é a destruição do planeta como o conhecemos. Os revisionistas advogam o “wise use”, sem preocupações com o ambiente, que segundo eles tem sido loucamente exageradas. A verdade está a olhos vistos.

Muitos apontam como único erro da civilização, o capital. Mas o capital é uma representação do poder passado.

Estaremos nós, a cometer o mesmo erro, que os Romanos, Mesopetâneos, Chineses, Maias ou Americanos?

A primeira crítica da civilização dirige-se aos seus impactos no ambiente, a segunda tem a ver com o seu impacto nos seres humanos. Somos civilizados ou domesticados?

A civilização é a causa das doenças sociais. Agimos como adictos, adictos a uma droga representada pelo dinheiro, produtos fabricados, petróleo e eletricidade. Vemos qualquer ameaça ao seu fornecimento como uma ameaça á nossa própria existência. Assim os poderosos interesses comerciais, “religiosos” e políticos aprenderem a manipular os nossos desejos e medos de modo a atingirem os seus propósitos de lucro e controlo.

O QUE É O PRIMITIVISMO?

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O reflexo atual da vida antes das civilizações, o acreditar na necessidade de um retorno às origens.

Na obrigação de identificar o primitivismo como ideal filosófico, são apontados como seus iniciadores Lao Tze, Rousseou e Thoreau, como grande parte dos pré-sócráticos, Judeus medievais, Teólogos cristãos, como também teóricos sociais anarquistas dos séculos XIX e XX.

Todos eles defendiam a superioridade de viver em Natureza.

No primitivismo do ocidente ressurge o interesse pelo xamanismo, costumes tribais, herbalismo, comida natural e animismo.

O QUE É A CIVILIZAÇÃO?

Opiniões existem muitas. Mas todas parecem implicar escrita, divisão do trabalho, agricultura, guerra organizada, crescimento populacional e estratificação social.

SELVAGEM/CIVILIZADO (Domesticado)

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Somos formados desde a nascença pela cultura que nos rodeia, pelas pessoas que nos são próximas. A civilização manipula estas relações primárias de tal forma que rouba e domestica a criança, acostumando-a a uma vida fora da natureza e da “família”.

Pesquisas antropológicas e psicológicas indicam que muitas das doenças “emocionais” no mundo civilizado são provocadas pelo abandono de uma vida simples, educação natural e da sua substituição sistemática por práticas educacionais alienantes desde o berço à universidade.

SAÚDE NATURAL OU ARTIFICIAL?

 

A civilização tem sido a raiz dos 75% de mortalidade nos dias de hoje, cancro, coração, derrames cerebrais, diabetes, os enfisemas, hipertensões e as cirroses, devido sobretudo à indústria. Em relação à alimentação e exercício as pré-agriculturais eram bem mais saudáveis e sustentáveis.

Os antibióticos são apresentados como um “grande salva-vidas” e são a bandeira da medicina moderna, mas segundo estudos os antibióticos são responsáveis pela resistência e mutação de estripes de micróbios, que são fatais. Sem resistências naturais as epidemias do próximo seculo serão devastadoras.

O conhecimento medicinal botânico com mais de 60.000 anos, formou a base da medicina moderna. Os animais instintivamente praticam-na todos os dias. O lucro levou à substituição da medicina natural pela sintética.

ESPIRITUALIDADE: CRUA OU COZINHADA?

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Pode-se identificar como: compaixão perante o sofrimento de outrem; uma conexão sentida com a Terra e com a Natureza. A espiritualidade espontânea tornou-se regimentada, dogmatizada, até militarizada, com o crescimento da civilização. Jesus, Buda e Lao Tzé pregaram o amor ao próximo e à Natureza, os seus seguidores depois alimentaram o crescimento de hierarquias dominantes.

A igreja católica romana produziu dois primitivistas do ocidente; São Francisco Xavier e Santa Clara. Mais tarde os movimentos neo-chamanicos herbalisticos atraíram por exemplo Heinrich Himmler e Adolf Hitler.

A verdadeira forma primitiva inclui: a espontaneidade, apoio mútuo, diversidade natural, amor pela natureza e compaixão pelos outros.

Na opinião de alguns o primitivismo poderá ser anti-revolucionário, regressivo.

HIERARQUIAS

Nas primeiras sociedades humanas não existiam patrões, políticos, leis civis, ou taxas. A maioria dos povos recolectores e até caçadores-recolectores eram pacíficos.

Com a agricultura vem a divisão de trabalho, iniciou-se a diferença de sexos e o começo das hierarquias sociais.

A começar com William Godwin no início do sec XIX, anarquistas iniciaram uma oposição crítica à implementação do estatismo pelos políticos do mundo civilizado. A essência do ideal anarquista é a de que os seres humanos são animais sociáveis; deixados a si próprios tendem a cooperar para benefício mutuo.

A CIVILIZAÇÃO E A NATUREZA

A civilização oferece-nos uma visão antropocêntrica do mundo. O interesse no ambiente é utilitário.

Os povos primitivos, viam a natureza num ponto de vista intrínseco. O abate de árvores e caça excessivos eram em muitas tribos proibidas.

De momento nós humanos, estamos a destruir o nosso próprio sistema de sustentação natural. Com matadouros, destruição dos solos, poluição do ar e da água e a extinção de espécies.

A origem e o crescimento desta tendência para tratar a natureza como um objeto separado de nós próprios pode ser traçada a partir do Neolítico e durante os vários estados de intensificação e crescimento da civilização. Hoje identificam-se movimentos como o primitivismo dos primeiros taoistas até aos ecologistas profundos, eco-femininistas e bio-regionalistas como uma contracorrente a esta tendência.

Respostas da civilização ao afastamento da natureza

As respostas passam pela psicoterapia, o exercício e os programas dietéticos, as férias, a industria do entretimento e os programas de bem estar social, são estas as necessidades do estilo de vida civilizado.

Todos estes esforços físicos, psicológicos e até espiritualmente orientados, são antídotos que ajudam a combater a angústia da civilização. Devemos perguntar-nos, todavia, se não seria mais simples parar de criar os problemas que estes programas e terapias pretendem corrigir.

O MUNDO PRIMITIVO

Estamos acostumados a pensar a história da civilização ocidental como um progresso evolucionário inevitável. Isso implica que todas as pessoas que não desenvolveram espontaneamente as suas próprias civilizações eram pessoas menos evoluídas que nós, ou simplesmente “atrasadas”.

Colocar uma pessoa urbana na selva sem confortos e comodidades seria tão cruel como abandonar um animal de estimação junto a uma estrada.

O primitivismo implica uma direção de mudança social ao longo do tempo. Estamos num ponto onde não só podemos, como devemos escolher e colher entre todos os elementos presentes e passados da cultura humana para encontrar os mais sustentáveis. Apesar de na cultura que podemos criar, não vamos diretamente à recoleção de alimentos selvagens, mas recuperamos muita da nossa liberdade, naturalidade e espontaneidade que trocámos pelos artifícios da civilização.

A natureza humana é maleável, as suas qualidades podem mudar consoante o ambiente natural ou social.

Nenhum “ismo”, nenhuma filosofia é uma fórmula mágica para a solução de todos os problemas humanos. Durante muitos séculos a civilização tem viajado no caminho da destruição, artificialidade, controlo e dominação.

 

 

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