Anarquistas Naturianistas e Anticientificos.

OS ANARQUISTAS NATURIANISTAS E ANTICIENTIFICOS

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 No sec XIX depois da repressão sobre anarquistas, ouve aquilo a que Jean Maitron chamou de “dispersão de tendências”. Desse grupo haviam aqueles que não tinham feitio para esperar o “grande dia”, tornava-se vital viver a anarquia hoje: “libertemo-nos imediatamente na medida das nossas forças, insurjamo-nos contra a autoridade que nos aniquila, escapemos das casernas, das prisões, das fábricas onde sofremos e morremos.” Estes proletários tinham o sonho de uma vida natural. Esquecidos por historiadores anarquistas e pelos socialistas científicos, considerados instáveis e ridículos.

Iniciado em 1894 este movimento existiu até 1962. Estiveram na origem dos espaços livres, colónias libertárias. Também se fundiram na tendência individualista do anarquismo.

O movimento naturista libertário questiona o industrialismo, suas consequências quer na natureza quer no individuo.

Emergindo de súbito do movimento anarquista francês, os naturianistas demarcaram-se ao criticarem a ciência idolatrada por muitas correntes revolucionárias. Grande parte dos naturianistas saíram do movimento operário.

Gravelle escreveu: “ Não foi a escravatura que edificou as pirâmides, os jardins de Nínive, os países da Babilónia, os templos de Hindustão?

Mais tarde foi o servo que construiu os castelos, torreões e fortalezas. E nos nossos dias é o operário- livre- que se vê intimidado a trabalhar ou a morrer de fome, que pratica também todas as indústrias que concorrem para a civilização.

Esterilizamos a terra, e agora forçamos a sua produção com adubos químicos que debilitam os homens e os animais.

 

O QUE É O NATURISMO LIBERTÁRIO

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Não é uma teoria, um sistema de uma só peça, é um reaproximar da natureza. Um protesto contra a vida sobreaquecida, onde sufocamos numa coleira de condenados.

Paul Paillette, o poeta dos naturianistas escreveu: “ filhos da natureza (…) lutam para um dia o doce reino do Amor (…) não haverá mais seres passando fome junto de outros embriagados:

Noutro poema:

Nós somos independentes/ irredutíveis/ Transcendentes/ Queremos viver com singeleza/ E avançar, com toda a franqueza/ Sem incomodar ninguém/ exigindo só o nosso direito/ Mas um direito que á natureza aprove/ sem Código nenhum que o reprove.E caminhamos assim alertas/ de coração exposto e mãos abertas/ Felizes por deparar com quem nos preze/ e o nosso tema não lese.Em nossos cérebros, nada ensinado/ nós somos o homem recém-criado/ Temos em mente existências campestres/ sem deuses nem mestres.

Um dos textos mais importantes na consolidação da teoria do naturianismo foi escrito no início de 1900 por Tchandala, pseudónimo de Aloise Weiss.O texto começa assim:

“ Em face do poder civilizador, perante a autoridade governamental, a minha tarefa é difícil, mas aceito a responsabilidade. Como naturista libertário, tenho pensamentos e instintos que não se enquadram nos pensamentos e nos hábitos dos homens civilizados.”

Em Jesus viu o primeiro homem revoltado contra o primeiro magistrado. Depois citava Tse, Confúcio e Buda. François Bochet dizia dos últimos 3, serem duvidosos; Tsé e Buda acreditavam num movimento universalista do valor do poder e Confúcio com o poder da organização da natureza. Aloine Weiss falava muito de Rosseou.

 

Outro naturianista  foi George Butaud, levou a cabo inúmeras experiencias comunitárias, propagandista omnívoro, e mais tarde grande impulsionador do veganismo. Era um crítico do sindicalismo, dizia: “ Toda a minha vida fui anti sindicalista. Sempre amei de mais a minha liberdade para benevolentemente a abandonar. Se os homens tivessem a minha atitude não existiria sindicato e, por consequência, a agitação não seria o trabalho profissional e um grupo de antigos trabalhadores que desertaram das fábricas e dos escritórios e que acharam um bom tacho de descanso. (…) o método, o sistema de organização operária, aniquilou toda a iniciativa individual.

O Selvagismo è uma espécie de irmão do naturismo, foi fundado por Alfred Marné. Para muitos naturianistas não fazia sentido.

Foucques Jeune, que considerava que a sociedade atual impede o individuo de ser livre, propondo que o homem  se liberte, abandonando o trabalho e renunciando aos produtos artificiais.

Dizia “ O que nós devemos conquistar não é o direito ao trabalho, é o direito ao pensamento”.

Deixou a pergunta: “ Consistirá o progresso na construção de todos estes engenhos destinados à destruição do género humano?”

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